quinta-feira, abril 02, 2015

Dia a dia

Todos os dias acordo com vontade de dormir. 7 da madrugada é muito cedo para eu levantar da minha cama que tanto me chama. Me troco e vou direto pra academia, onde faço os exercícios todos correndo para que eu possa dormir mais um pouquinho no colchão do abdominal.

Tomo banho, esqueço de enxaguar os meus ouvidos cheios de espuma e escovo o dente já pensando na roupa que eu vou colocar de acordo com a previsão do tempo que nunca acerta. Coloco uma camiseta branca e uma calça jeans porque eu estou com preguiça de pensar.  Mas levo uma blusa para caso faça frio, um guarda-chuva para caso chova e uma outra camiseta para caso a cidade alague e eu tenha que dormir na casa de alguma alma caridosa.

Saio nessa viagem diária ouvindo as minhas músicas preferidas. Às vezes consigo fugir dos meus desejos, mas normalmente entro na padaria da minha rua, onde os atendentes já sabem que eu vou pedir um croissant de calabresa pra viagem porque vou comendo no caminho do meu ônibus. Além disso, as moças do caixa já sabem que não quero a sacolinha e que eu não preciso da minha via do cartão.

No ônibus, sento do lado direito porque não gosto de pegar o sol da 9h dessa cidade que é só gente, concreto e carro. Entro no vagão do metrô calculando exatamente qual das portas me deixará mais próximo das escadas rolantes da estação que vou descer.

Abro meu livro na linha amarela. É o trecho mais longo do caminho e consigo ler umas 3 ou 4 páginas do meu livro que há meses está na minha mochila. Me incomoda quando alguém está sentado ao meu lado falando alto ao telefone. Então mudo de lugar porque o incomodado sou eu e ando praticando a tolerância com aqueles que são diferentes de mim.

Subo todas as infinitas escadas da estação Pinheiros por punição pelo croissant que comi 30 minutos antes para que assim eu consiga continuar a minha viagem sem grandes arrependimentos na vida.

Entro no trem e tento não encostar em ninguém. Coloco meus óculos escuros para não precisar enfrentar o sol que sabe que estou atrasado para algo que não tenho muito horário.

Chego na agência, leio meus e-mails, almoço com algum amigo, participo de algumas reuniões, monto alguns planos e apresentações. Fico até um pouco mais tarde resolvendo algum problema que sempre aparece pra mostrar que nem tudo na vida está sob o meu controle.

Coloco meus fones de ouvido e vou em direção ao ônibus. Sento no fundo porque prefiro que ninguém sente do meu lado. Não adianta muita coisa e tento descansar um pouco enquanto a pessoa que sentou do meu lado está fazendo fofoca da vida alheia para o amigo que está sentado na frente. Sinto vergonha e pena.

Chego no terminal onde espero muito tempo pelo último ônibus onde os mendigos bêbados sempre aparecem para conversar comigo num walking dead da vida real. Finjo demência e entro no ônibus com o cobrador que recebe pra dormir no ponto.

Chego no meu prédio e o porteiro nunca responde o meu boa noite. Converso com meus pais sobre o meu dia sempre tão cheio de detalhes. Tomo meu banho. Deito na minha cama. Leio mais um pouco e durmo.


Tudo isso, pensando em você.