quarta-feira, outubro 15, 2014

Para o meu pai

Quando eu tinha uns 10 anos, eu e minha família ganhamos um walk machine num bingo do nosso clube. Naquela época era quase que ganhar um carro num sorteio de Natal do shopping. Voltamos eu e meu irmão chorando de alegria para casa. Durante semanas, o walk machine ficou de enfeite na sala do nosso apartamento. Eu e meus irmãos subíamos nele e, sem ligar, fingíamos que estávamos pilotando na mais alta velocidade esperando pelas férias de verão para podermos, enfim, pilotarmos essa máquina pelas areias da praia onde passávamos o final do ano. 
Num belo dia de dezembro, o walk machine desapareceu da sala. E, surpreendentemente, ele apareceu na minha rua sendo guiado por ninguém menos que meus vizinhos. Fiquei mal. Questionei meus pais sobre isso e eles deram de loucos falando que era muito perigoso pra gente. Meu pai, que sempre amou as motos e a velocidade, falando que aquilo era perigoso. Não fazia sentido. Criança esquece as coisas rápido e, depois de um tempo, nem lembrávamos mais do walk machine. 
No Natal do mesmo ano, lembro que meus pais acordaram eu e meus irmãos dizendo que tínhamos que descer para a garagem do prédio. E, junto da gente, estava nosso vizinho (o novo dono do walk machine). Quando chegamos na vaga do carro da família, fomos surpreendidos com um super mini buggy cheio de laços e uma placa que dizia:
Esse é um presente do Papai Noel para a melhor bailarina do mundo, Thais. Para o melhor ginasta do Brasil, Alex. E para o filho mais chato de todos, Bruno. (Eu não tinha muitas qualidades naquela época haha). 
E foi aí que eu entendi. Que quando o nosso pai nos tira algo é porque ele tem uma coisa muito melhor pra substituir. E quando falo algo, não me refiro a mini buggies ou walk machines.
Pai, que as duas rodas continuem te levando para novos horizontes em que você possa ver até onde juntos poderemos chegar.
Feliz aniversário! Amo vc!

Amor de Verão

Cheguei aqui sem muitas pretensões. E por um instante, ou melhor, por algumas semanas, eu pensei que fosse você o motivo pelo qual eu estaria aqui. Quando, deitados na minha cama, eu te perguntei onde você estava esse tempo todo e você falou no meu ouvido que estava aqui, me esperando, tive a mais absoluta certeza disso.
Sabe, a gente às vezes comete uns erros bobinhos na vida. E espera que as coisas se encaixem da maneira que deveriam ser, para aprender e para crescer.
Eu, que sou um pouco mais velho que você e já pensei muito da sua mesma maneira, hoje acredito que conversar e relevar algumas coisas são essenciais para que a gente seja mais feliz. Imagina se não existisse perdão nesse mundo? E é isso o que tenho feito para poder ser alguém melhor: perdoar e pedir desculpas.
Acho que foi uma pena que nosso namoro tenha virado apenas um casinho mal resolvido porque ainda acredito que a gente tenha tudo a ver. Mas por outro lado, volto pro Brasil com a mente tranquila que tentei de tudo para que desse certo de novo.
Não me dói ver você com outra pessoa, o que me dói é saber que você estava ali do meu lado e não foi capaz de me ouvir. E isso é uma coisa que você ainda vai passar no seu caminho e, mesmo não lembrando mais de mim, um dia você vai me entender.
Eu não sei de mim, mas você eu tenho certeza que perdeu um dos caras mais bacanas que já apareceram na sua vida, porque aqui, do outro lado do celular, existe também uma pessoa que tem sentimentos que precisavam ser ouvidos.
Na minha memória, guardarei só os momentos bons e que a vida te dê um milhão de motivos para que você abra aquele sorriso quando olhou pra mim pela primeira vez enquanto atravessava a Granville Street.
Hoje é a minha festa de despedida. Se ainda existe uma coisinha aí e você quiser me dar um abraço, saiba que estarei te esperando lá de braços abertos e sem ressentimentos. Será hoje à noite no Portside Pub, em Gastown.
Te desejo o mundo e que um dia ele fique pequeno para você.
Um beijo grande e amolece esse coração. O mundo fica bem mais fácil!
Trust in me!