terça-feira, julho 08, 2014

Quando a saudade aperta

Para a minha avó Daisy

Sabe vó, queria te contar tantas coisas. Queria te contar que o gosto de viajar e conhecer outros lugares, muito tem a ver com todos os cartões postais que recebia quando você e o vovô inventavam de fazer uma volta ao mundo. Queria te contar também que a cidade aqui é linda e a natureza faz um par perfeito com os arranha-céus.

Se nesse primeiro momento eu pudesse definir Vancouver em algumas palavras, diria que é uma cidade de gente feliz - acho que era isso o que eu tanto precisava! Não sei se eu que ando muito sensível, mas me admirou muito o fato de todas as pessoas sorrirem para mim. E não foram só as pessoas que me encheram de motivos para sorrir. O sol pediu por favor (como todo canadense) para que todas as nuvens dessem uma trégua para que eu me colocasse no meu lugar: o de quem é insignificante perto da imensidão do céu azul. By the way, o azul aqui é diferente, quase da cor dos seus olhos.

Só você sabe que mentalmente me situei no mapa mundi para identificar o quão longe eu estava de tudo e de todos.Segui sozinho por essas ruas inspirando o máximo que eu pudesse e expirando tudo de olhos bem fechados. O que que eu estou fazendo aqui mesmo? Sou um louco. Mas uma vez você me disse que os loucos não sabem que são loucos. "Não sou louco então..." refleti.

E entre um passo e um pensamento, entre a loucura da lucidez, aquele vazio da solidão se preenche por completo. Chegar nessa cidade na primavera não foi um acaso. Há margaridas por todos os meus caminhos para que eu tenha certeza que, no mundo, onde quer que eu esteja, eu nunca mais estarei sozinho. 

Agora que eu tô começando a entender. Você foi para pode ficar. E que bom que é ter você assim, pra sempre comigo.

Sou grato por tudo.

Sinto muitas saudades!

Um comentário:

Bruno Diniz disse...

Emocionante. Você consegue tocar bem lá no fundo com seus textos, parabéns.