domingo, julho 20, 2014

O poder da palavra

Tenho passado muito tempo sozinho. Não porque não tenha feito amigos ou qualquer coisa. Simplesmente uma questão de escolha. Tenho preferido a companhia de todos os meus pensamentos que há muito não estavam sendo ouvidos. 

Reaprender um outro idioma é quase que uma terapia diária. É preciso caçar todas as palavras na mente para formar sentenças que muitas vezes não fazem sentido para a pessoa que recebe a mensagem. As frases podem terminar em frustração ou vitória e confesso que, de vez em quando, eu concordo com o que a pessoa fala sem sequer ter entendido uma palavra. Nessas, acredito que já devo ter respondido "sim" pra muita coisa que eu negaria até a morte e só percebo o resultado da minha resposta quando já é tarde demais. A vida segue engraçada como sempre foi pra mim.

Vendo pelo lado evolutivo do ser humano, no caso eu, descobri que escutar é, sem dúvida, o sentido mais divino do espaço sideral. Você tem noção de que, no mundo, existe um monte de gente muda simplesmente porque nunca ouviu uma palavra? Que as vibrações do som fazem os cegos enxergarem de uma maneira sobrenatural? Pois é, tem ficado cada vez mais claro pra mim a história óbvia do porquê temos dois ouvidos e uma boca.

E nessas de ter de pensar em tudo o que precisa ser falado, vou selecionando o que é realmente essencial para compartilhar. Não sei se vale a pena o esforço de procurar todas as palavras para dizer que ali, no meio da praia, tem uma velha pelada girando um bambolê com um cigarrinho na boca, entende?

Por conta disso, tenho me tornado mais tolerante com situações incomuns e com o mundo de uma maneira geral. 

Não vejo a hora de aprender o mandarim.


2 comentários:

Anônimo disse...

Desculpa, gosto do blog. Mas vc nunca não deixa claro se a pessoa que ama/deseja e as vezes fala sobre é homem ou mulher.

Bruno Höera disse...

Isso realmente faz diferença? =)