domingo, junho 22, 2014

Portas abertas

No avião decidi assistir o filme "Gravidade", nada mais tranquilo quando se teve síndrome do pânico e agora é necessário tomar um dramim e umas taças de vinho para poder voar. O voo foi bem tranquilo. Um menina linda dividiu a fileira de poltronas comigo e conversou o mínimo para ser simpática, como a vida deveria ser.

Notava-se quem era brasileiro quando o avião pousou e já tinha gente de pé pegando a bagagem de mão. Vergonha. Continuei sentado até que todo mundo descesse - gosto de cumprimentar as aeromoças, sempre tão gentis - e precisei passar por dois postos da imigração. Sempre fico um pouco nervoso quando dependo de alguém pra entrar em algum lugar e, para entrar num país, não seria diferente. Segurei a matraca e respondi apenas o necessário, deu certo. Vibrei internamente.

Fiquei rodando o aeroporto procurando o que fazer quando na verdade eu tinha que pegar um taxi para conhecer a minha casa nova. Taxista, assim como todas as pessoas, deveriam vir com um botão de mute. Não lembro de uma palavra do que ele disse, eu estava apenas preocupado com o que estava fazendo da minha vida.

Depois de 15 minutos que demoraram 3 dias, cheguei numa casa de boneca com um lindo jardim e com um bilhete na porta: "Hey, Mr Höera. The door is open." E foi aí que eu percebi que aqui no Canadá as portas estão sempre abertas para todos, e agora, inclusive pra mim.

Ps: de noite eu tranco só por precaução.

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