segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Dia de Peito

Acordo todos os dias às 6h da manhã. Tomo o meu banho, arrumo a minha mala para a academia e pego uma carona com a minha mãe até a estação Luz do metrô. Coloco o papo em dia, dou umas broncas nela (estamos naquela fase em que os papéis mãe e filho estão se invertendo) e, para que eu entre no mínimo do aceitável no padrão estético definido pela nossa sociedade, corro para a academia.

Essa semana, chegando na avenida Paulista, eu, assim como outras 500 pessoas, parei no semáforo de pedestre e aguardei o verde para que eu pudesse atravessar a rua. Nisso, uma mulher em cima dos seus 40 anos, da sua saia jeans comprida e seu cabelo amarrado e molhado, abre um pacote de bolacha e joga o papel no chão, assim, em 2014.

Eu não consigo entender qual a dificuldade de uma pessoa jogar um papel no lixo e, por conta disso, dei de louco, cutuquei a mulher e disse: "eu não acredito que a senhora, com a sua idade, jogou um papel no chão. Não tem vergonha, não?". As outras 500 pessoas que estavam junto comigo na calçada pararam tudo o que estavam fazendo pra ver o que poderia ser o início da 3a guerra mundial. Foi quando uma outra mulher, do meu time, gritou: "é isso aí, que absurdo!". E, com isso, todas as outras 500 pessoas vestiram a camisa dos cidadãos do bem que fazem ioga mas não cumprimentam o porteiro do prédio e clamaram para que a mulher tomasse uma atitude.

Sem olhar pra minha cara, ela pegou o papel do chão e eu fui mais feliz pra academia. Era dia de peito!

Um comentário:

Hugo Cavalcanti disse...

Sensacional! Vou ter essa atitude tb quando presenciar uma cena lamentável dessa!