sexta-feira, novembro 28, 2014

Vamos combinar?

- Vamos se ver?

- Bom, a gente pode se ver caso a gente se encontre por aí. Mas marcar de se encontrar pra poder se ver, não vai rolar. Sabe, tenho feito muitas escolhas na minha vida e, entre elas, decidi que não vou permitir que as pessoas me façam sentir menos do que eu realmente sou. Imagino que você não faça isso porque queira, mas isso de verdade não me importa.

- Isso é um "não"?

- Sim.

- Então nos vemos por aí.

- Claro! Até lá!!

Pra você que ainda vai chegar

Todos os dias saio de casa com a impressão de que você ainda vai chegar. E, pra isso, abro sorrisos para todos na rua porque ainda não sei quem é você. Não quero que quando nos encontrarmos nessa vida, você pense que acordo de mau humor até nos dias em que o sol brilha no outono.

Como não te encontro no caminho do trabalho, me permito a conhecer novos lugares onde eu possa conhecer novas pessoas. Tem sido uma experiência antropológica. Tentei outras cidades e países também, mas não sei, alguma coisa me diz que você está bem perto e estamos apenas nos desencontrando.

Ontem, estava no supermercado e pensei que era você. Me olhou e sorriu como se já nos conhecêssemos. Mas o mundo conspirou e você desistiu do sorriso quando viu eu pegando um pacote de fraldas na gôndola de cima. Eu estava indo para um chá de bebê, eu juro! Mas tudo bem. Se fosse você, saberia disso e daria risada de mim, junto comigo.

Outro dia, na linha amarela do metrô, você sentou na minha frente e, entre uma página e outra, levantava seus olhos para ver se eu ainda estava olhando para você. Na verdade, estava tentando te reconhecer. E nessas de admirar o que ainda não se conhece, você desceu em uma estação que eu nunca iria.

Talvez você seja aquele tipo de coisa que aparece apenas quando não estamos procurando. Mas vou te confessar: essa falta de sincronia do mundo me enloquece. Esses desencontros já não estão cabendo mais, você não acha?

Não vejo a hora em que a gente vai fugir pra praia num final de semana pra conversar tudo aquilo que ainda não aconteceu. Será que vai rir das minhas histórias? Vai dizer que tudo bem eu estar descabelado? De todas as coisas que eu queria que você já soubesse, a principal é que tô aqui.

E uma hora a gente se reconhece por aí.

Sou aquele que anda com uma mão no bolso e um sorriso no rosto. =)

segunda-feira, novembro 03, 2014

Já se acostumou?

Das questões óbvias que as pessoas costumam me fazer para puxar um assunto que não tem fim esta tem sido a mais recorrente. Mas a resposta para essa pergunta fechada não é sim ou não. Não é talvez. Não é não sei. E por isso, respondo sempre com outra pergunta: por que você está me perguntando isso?

"É que quando eu fui, comecei a entrar numa deprê depois de 1 mês mais ou menos."

Mas você, meu amigo, é você. E enquanto o mundo te fazia uma pessoa deslumbrada em andar de ônibus, eu ia pra praia olhar as estrelas de um céu que iluminava a noite. E tudo bem a gente ser diferente. É que pra mim faz mais sentido contar o incontável.

Se bem que igualmente a você, eu ando me acostumando a chegar em vários pontos finais.



See you soon, Van!

E foi assim, do jeito que tinha que ser. Vancouver é uma cidade incrível onde Deus juntou todas as melhores pessoas do mundo e as colocou para viverem juntas porque elas mereciam um lugar especial para elas. E eu, que passei com vontade de ficar para sempre, trago agora no meu coração todas essas pessoas que fizeram todos os meus dias felizes. Obrigado, meus amigos, já sinto falta de todos.

And that's it. It was absolutely in the way that it had to be. Vancouver is an amazing city where God gathered all the best people in the world and put them to live together because they deserved a special place to be in peace. And I, who only passed wanting to stay forever, bring in my heart all of these people who made my happy days. I always believe that we are a combination of the people that we knew, that's why I'm feeling a even better person after all these months. I hope I could leave a little piece of me with you. Thank you my friends, I just miss you all a lot.

segunda-feira, outubro 20, 2014

17 anos depois

Todas as vezes quando você vai embora depois de horas e horas conversando comigo, eu deito na minha cama e dou risada sozinho. De mim, de você. Da gente. Olho pro teto à procura de alguém para agradecer você na minha vida. Não acredito em coincidências. Acredito sim em sintonia. E a nossa atingiu um nível em que palavras são desnecessárias para expressar o meu amor por você. Porque o que eu sinto por ti ainda não tem nome, não tem verbo, não tem por quê. Sou assim, gosto porque sim. E vou contra essa mania que as pessoas têm de rotular embalagens para explicar o que não precisa. Sou um cara de sorte, eu sei. E que sorte a minha ter você na minha história. Espero que ela não acabe nunca.

Feliz aniversário, Vi. 

beijos,

Bru.


quarta-feira, outubro 15, 2014

Para o meu pai

Quando eu tinha uns 10 anos, eu e minha família ganhamos um walk machine num bingo do nosso clube. Naquela época era quase que ganhar um carro num sorteio de Natal do shopping. Voltamos eu e meu irmão chorando de alegria para casa. Durante semanas, o walk machine ficou de enfeite na sala do nosso apartamento. Eu e meus irmãos subíamos nele e, sem ligar, fingíamos que estávamos pilotando na mais alta velocidade esperando pelas férias de verão para podermos, enfim, pilotarmos essa máquina pelas areias da praia onde passávamos o final do ano. 
Num belo dia de dezembro, o walk machine desapareceu da sala. E, surpreendentemente, ele apareceu na minha rua sendo guiado por ninguém menos que meus vizinhos. Fiquei mal. Questionei meus pais sobre isso e eles deram de loucos falando que era muito perigoso pra gente. Meu pai, que sempre amou as motos e a velocidade, falando que aquilo era perigoso. Não fazia sentido. Criança esquece as coisas rápido e, depois de um tempo, nem lembrávamos mais do walk machine. 
No Natal do mesmo ano, lembro que meus pais acordaram eu e meus irmãos dizendo que tínhamos que descer para a garagem do prédio. E, junto da gente, estava nosso vizinho (o novo dono do walk machine). Quando chegamos na vaga do carro da família, fomos surpreendidos com um super mini buggy cheio de laços e uma placa que dizia:
Esse é um presente do Papai Noel para a melhor bailarina do mundo, Thais. Para o melhor ginasta do Brasil, Alex. E para o filho mais chato de todos, Bruno. (Eu não tinha muitas qualidades naquela época haha). 
E foi aí que eu entendi. Que quando o nosso pai nos tira algo é porque ele tem uma coisa muito melhor pra substituir. E quando falo algo, não me refiro a mini buggies ou walk machines.
Pai, que as duas rodas continuem te levando para novos horizontes em que você possa ver até onde juntos poderemos chegar.
Feliz aniversário! Amo vc!

Amor de Verão

Cheguei aqui sem muitas pretensões. E por um instante, ou melhor, por algumas semanas, eu pensei que fosse você o motivo pelo qual eu estaria aqui. Quando, deitados na minha cama, eu te perguntei onde você estava esse tempo todo e você falou no meu ouvido que estava aqui, me esperando, tive a mais absoluta certeza disso.
Sabe, a gente às vezes comete uns erros bobinhos na vida. E espera que as coisas se encaixem da maneira que deveriam ser, para aprender e para crescer.
Eu, que sou um pouco mais velho que você e já pensei muito da sua mesma maneira, hoje acredito que conversar e relevar algumas coisas são essenciais para que a gente seja mais feliz. Imagina se não existisse perdão nesse mundo? E é isso o que tenho feito para poder ser alguém melhor: perdoar e pedir desculpas.
Acho que foi uma pena que nosso namoro tenha virado apenas um casinho mal resolvido porque ainda acredito que a gente tenha tudo a ver. Mas por outro lado, volto pro Brasil com a mente tranquila que tentei de tudo para que desse certo de novo.
Não me dói ver você com outra pessoa, o que me dói é saber que você estava ali do meu lado e não foi capaz de me ouvir. E isso é uma coisa que você ainda vai passar no seu caminho e, mesmo não lembrando mais de mim, um dia você vai me entender.
Eu não sei de mim, mas você eu tenho certeza que perdeu um dos caras mais bacanas que já apareceram na sua vida, porque aqui, do outro lado do celular, existe também uma pessoa que tem sentimentos que precisavam ser ouvidos.
Na minha memória, guardarei só os momentos bons e que a vida te dê um milhão de motivos para que você abra aquele sorriso quando olhou pra mim pela primeira vez enquanto atravessava a Granville Street.
Hoje é a minha festa de despedida. Se ainda existe uma coisinha aí e você quiser me dar um abraço, saiba que estarei te esperando lá de braços abertos e sem ressentimentos. Será hoje à noite no Portside Pub, em Gastown.
Te desejo o mundo e que um dia ele fique pequeno para você.
Um beijo grande e amolece esse coração. O mundo fica bem mais fácil!
Trust in me!

quarta-feira, outubro 08, 2014

E agora que você voltou?

Quando eu fui, a primeira coisa que as pessoas me perguntavam era quanto tempo eu ficaria. Quando estava lá, a única coisa que queriam saber era quando eu voltava. Agora que eu voltei todo mundo quer saber o porquê.

Quanta cobrança.

Eu fui porque achei que era o momento que eu deveria ir. Fui porque estava de saco cheio de São Paulo e do Brasil. E fui sem ninguém porque a única companhia que eu queria era a dos meus pensamentos. Fui pra pensar na vida por outro ponto de vista. Dessa vez, eu fui pra voltar. Pelo menos por enquanto.

Acredito que só um grande amor ou uma grande emprego me fariam ficar. Cheguei bem perto dos dois. Não tive porque não quis. Me dei ao direito de, conscientemente, ser mimado por mim mesmo. Vivi em 5 meses a vida que eu queria ter.

O Bruno, aquele cara lá que foi, não voltou. Talvez volte em algumas semanas já que São Paulo é capaz de trazer à tona as verdades de todo mundo. Mas por enquanto, eu prefiro a verdade de alguém que se surpreende por não ter expectativas.

- E o que você vai fazer agora que voltou?

Bem, vou continuar fazendo o que sempre fiz: cuidar da minha vida.

Beijos!




domingo, agosto 10, 2014

Acima de qualquer coisa

Mais do que o normal, essa foi uma semana de reflexões. Foram dias de colocar Moby pra tocar no meu iPod enquanto corria na orla de Vancouver para o mar ver até onde eu consigo chegar. E tudo bem parar no meio do caminho para respirar, tirar o tênis, sentar no meio do nada e fechar os olhos para agradecer por tudo o que eu tenho. 

As saudades começam a aparecer. E por mais que a vida aqui seja incrivelmente perfeita, chega um instante em que ela não é suficiente se quem sempre foi importante não está fisicamente do meu lado.

É difícil viver num lugar onde ninguém conhece a sua história. É uma experiência incrível ter que começar tudo do zero porque, no final das contas, você percebe que longe de tudo e todos que você tem, você é nada. E é assim que se aprende o valor do que você é.

Passar meu aniversário longe daqueles que sempre estão presentes não foi fácil. Preciso de um monte de abraço, de beijo e de confusão. Infelizmente necessito de um dia do ano em que as atenções sejam só para mim - coisa de filho do meio e leonino com lua em Áries. Santos são os astros que desenham no céu tudo o que está para acontecer.

E foi lá que eu quis passar o meu dia, no lugar mais alto da cidade - onde as luzes dos prédios se confundem com as estrelas do céu. A lua estava cheia e iluminava a linha tênue do infinito entre o horizonte e o mar, que, agora de longe, admirava até onde eu consigo chegar. 

32 anos é o momento de voar!



domingo, julho 20, 2014

O poder da palavra

Tenho passado muito tempo sozinho. Não porque não tenha feito amigos ou qualquer coisa. Simplesmente uma questão de escolha. Tenho preferido a companhia de todos os meus pensamentos que há muito não estavam sendo ouvidos. 

Reaprender um outro idioma é quase que uma terapia diária. É preciso caçar todas as palavras na mente para formar sentenças que muitas vezes não fazem sentido para a pessoa que recebe a mensagem. As frases podem terminar em frustração ou vitória e confesso que, de vez em quando, eu concordo com o que a pessoa fala sem sequer ter entendido uma palavra. Nessas, acredito que já devo ter respondido "sim" pra muita coisa que eu negaria até a morte e só percebo o resultado da minha resposta quando já é tarde demais. A vida segue engraçada como sempre foi pra mim.

Vendo pelo lado evolutivo do ser humano, no caso eu, descobri que escutar é, sem dúvida, o sentido mais divino do espaço sideral. Você tem noção de que, no mundo, existe um monte de gente muda simplesmente porque nunca ouviu uma palavra? Que as vibrações do som fazem os cegos enxergarem de uma maneira sobrenatural? Pois é, tem ficado cada vez mais claro pra mim a história óbvia do porquê temos dois ouvidos e uma boca.

E nessas de ter de pensar em tudo o que precisa ser falado, vou selecionando o que é realmente essencial para compartilhar. Não sei se vale a pena o esforço de procurar todas as palavras para dizer que ali, no meio da praia, tem uma velha pelada girando um bambolê com um cigarrinho na boca, entende?

Por conta disso, tenho me tornado mais tolerante com situações incomuns e com o mundo de uma maneira geral. 

Não vejo a hora de aprender o mandarim.


terça-feira, julho 08, 2014

Quando a saudade aperta

Para a minha avó Daisy

Sabe vó, queria te contar tantas coisas. Queria te contar que o gosto de viajar e conhecer outros lugares, muito tem a ver com todos os cartões postais que recebia quando você e o vovô inventavam de fazer uma volta ao mundo. Queria te contar também que a cidade aqui é linda e a natureza faz um par perfeito com os arranha-céus.

Se nesse primeiro momento eu pudesse definir Vancouver em algumas palavras, diria que é uma cidade de gente feliz - acho que era isso o que eu tanto precisava! Não sei se eu que ando muito sensível, mas me admirou muito o fato de todas as pessoas sorrirem para mim. E não foram só as pessoas que me encheram de motivos para sorrir. O sol pediu por favor (como todo canadense) para que todas as nuvens dessem uma trégua para que eu me colocasse no meu lugar: o de quem é insignificante perto da imensidão do céu azul. By the way, o azul aqui é diferente, quase da cor dos seus olhos.

Só você sabe que mentalmente me situei no mapa mundi para identificar o quão longe eu estava de tudo e de todos.Segui sozinho por essas ruas inspirando o máximo que eu pudesse e expirando tudo de olhos bem fechados. O que que eu estou fazendo aqui mesmo? Sou um louco. Mas uma vez você me disse que os loucos não sabem que são loucos. "Não sou louco então..." refleti.

E entre um passo e um pensamento, entre a loucura da lucidez, aquele vazio da solidão se preenche por completo. Chegar nessa cidade na primavera não foi um acaso. Há margaridas por todos os meus caminhos para que eu tenha certeza que, no mundo, onde quer que eu esteja, eu nunca mais estarei sozinho. 

Agora que eu tô começando a entender. Você foi para pode ficar. E que bom que é ter você assim, pra sempre comigo.

Sou grato por tudo.

Sinto muitas saudades!

segunda-feira, junho 30, 2014

Branca de Neve

Cheguei na casa e tudo era micro. Até os espelhos estavam pendurados um pouco mais pra baixo que o normal. Procurei pelo meu quarto indicado pela carta e logo encontrei: era o que estava com a porta aberta. Não tenho como definir a decoração do meu quarto, por isso vou chamá-la de simplicidade funcional.

Abri minhas malas e fui guardando as minhas roupas no armário. Bateu um arrependimento de ter tirado um monte de coisa delas. Trouxe umas bermudas do surf e umas camisas nada a ver - nada que combine - "vou arrasar no Canadá!", pensei ironicamente.

Deitei na minha cama de casal. O colchão parecia uma esponja de lavar louça. Não consegui me mover. Não pela emoção do momento, mas porque o colchão era praticamente uma areia movediça - já passei por essa situação em outras experiências antropológicas, então foi tranquilo lidar. E adormeci.

Quando estava naquele transe do dorme ou não dorme, ouço uma voz de uma gralha gritando: "Helloooo, Mr Brunooooooo!!!!". Era a dona da homestay que eu passaria o próximo mês.

Como imaginado, ela era um pigmeuzinho. Uma mulher alegre, com um sorriso gigante, cabelo Elba Ramalho e batom vermelho bombeiro. Filipina. Falou um monte de groselha que eu não entendi nada e fez um sanduíche super gostoso pra mim. Fofa. Me explicou como ligava a máquina de lavar, a secadora e o chuveiro. Fingi que entendi, ela fingiu que estava tudo certo e foi embora pra outra casa onde ela cuida de umas crianças X. Não tinha entendido também e não quis perguntar porque estava com medo de invadir demais a privacidade da pigmeu. Fofa.

Assim que ela saiu, decidi tomar um banho pra tirar toda a energia ruim que carreguei comigo do Brasil. Quem disse que eu conseguia ligar o chuveiro? Apertei todos os botões, girei todas as torneiras, bati na parede e nada. A água só descia na banheira. Desencanei do chuveiro, tampei o ralo da banheira com um pedaço de pano que eu encontrei, joguei um sabonete líquido na água pra fazer umas espumas e fiquei lá curtindo o meu primeiro banho em terras canadenses, até a minha pele ficar parecendo um maracujá.
Fui tentar lavar meu cabelo, mas a água estava com o sabonete líquido e ficou pior do que estava. Quando levantei, quase desmaiei porque a água estava muito quente. Lembrei que naquele momento eu deveria ser forte porque se eu morresse ali ninguém ia me salvar.

Me troquei e decidi me aventurar pela vizinhança. Fui no supermercado, cheirando a higicalcinha e com o cabelo do Edward Mão de Tesoura, só pra ver como é que era o comércio local e aproveitei para comprar produtos de higiene. Demorei umas duas horas porque queria desodorante de spray e só tinha roll on e a mulher começou a me explicar sobre o efeito estufa e aquilo tudo que a gente aprende na 6a série. Todo mundo do bairro é asiático, me senti discriminado. Mas eles são tão simpáticos, tão agradecidos e tão asiáticos, que queria levar todos para a casa de boneca da pigmeu e por pra dormir. Achei melhor não.
Mal podia esperar para conhecer o resto da cidade.

domingo, junho 22, 2014

Portas abertas

No avião decidi assistir o filme "Gravidade", nada mais tranquilo quando se teve síndrome do pânico e agora é necessário tomar um dramim e umas taças de vinho para poder voar. O voo foi bem tranquilo. Um menina linda dividiu a fileira de poltronas comigo e conversou o mínimo para ser simpática, como a vida deveria ser.

Notava-se quem era brasileiro quando o avião pousou e já tinha gente de pé pegando a bagagem de mão. Vergonha. Continuei sentado até que todo mundo descesse - gosto de cumprimentar as aeromoças, sempre tão gentis - e precisei passar por dois postos da imigração. Sempre fico um pouco nervoso quando dependo de alguém pra entrar em algum lugar e, para entrar num país, não seria diferente. Segurei a matraca e respondi apenas o necessário, deu certo. Vibrei internamente.

Fiquei rodando o aeroporto procurando o que fazer quando na verdade eu tinha que pegar um taxi para conhecer a minha casa nova. Taxista, assim como todas as pessoas, deveriam vir com um botão de mute. Não lembro de uma palavra do que ele disse, eu estava apenas preocupado com o que estava fazendo da minha vida.

Depois de 15 minutos que demoraram 3 dias, cheguei numa casa de boneca com um lindo jardim e com um bilhete na porta: "Hey, Mr Höera. The door is open." E foi aí que eu percebi que aqui no Canadá as portas estão sempre abertas para todos, e agora, inclusive pra mim.

Ps: de noite eu tranco só por precaução.

Sala de Embarque

Sentado esperando a hora do embarque, meus olhos analisavam todas aquelas pessoas que também estavam partindo. Ou voltando. E cada uma refletia minimamente o que eu estava sentindo. Tinha menina chorando no telefone, mãe tentando fazer o filho ficar quieto e criança que não estava nem aí. Eu era tudo isso. E mais do que isso, agora eu também era o piloto, do meu próprio avião.

domingo, junho 15, 2014

Tchau, I have to go now!

Foi tudo meio que na loucura. Pai eu quero ir, mãe eu to indo, tchau amigos! E tudo bem. Minha vida nunca foi uma coisa muito normal mesmo. Soquei todas as roupas que eu mais gosto numa mala e me mandei para o aeroporto.

Obviamente que a vida não iria deixar que as coisas acontecessem assim tão fáceis e, por isso, tratou logo de aumentar uns 5 kg na minha bagagem para que eu tivesse que abrir a minha mala no meio do check in para tirar tudo o que eu não deveria levar comigo.

A verdade é que o que pesa, nem na mala está. Mas a ideia é essa mesma: deixar por onde eu vá um pouco do que eu não quero mais. Nessas, foram os meus shampoos, gel e metade das minhas camisetas. Acreditei na minha genética e desapaguei desses valores que nunca me levaram a lugar nenhum.

Meus pais, coitados, nunca foram tão pacientes com o meu nervosismo e nem ligaram às minhas patadas na hora de refazer a mala, ali, no aeroporto. Muito pelo contrário. Meu pai ia pesando tudo enquanto a minha mãe andava pra lá e pra cá com todas as minhas roupas no colo. Era cueca, pijama e tênis.

E o que eu pensei que ia ser difícil, foi mais difícil do que eu estava esperando: dar tchau para eles. Só os dois, e mais ninguém, sabem exatamente o quanto eu queria isso daqui. Só os dois passaram madrugadas conversando comigo sentados na cozinha até que eu não tivesse mais o que falar. Só os dois, e apenas os dois, pegaram o meu sonho como o deles e não me deixaram desistir. E por isso que foi tão difícil. Porque naquele instante em que eu os abraçava com o passaporte na mão, eles eram os únicos no planeta que sabiam exatamente o que se passava na minha cabeça. Thank God for them!

Tchau, mãe! Tchau, pai!
Deixem a luz acesa.
Não estou levando a chave.

Good Morning Vancouver!

Tem sido difícil desacelerar, mas acredito que uma nova vida necessita de alguns ajustes que só o tempo é capaz de executar. E é bom quando o que acontece é somente o fruto do que foi imaginação um dia. Aqui são 4 horas a menos do que no Brasil. Voltei no tempo para consertar o que o meu coração nunca mais quer passar.

segunda-feira, abril 28, 2014

bons sonhos

É engraçado. Mas sempre que fico muito sem te falar ou sem te ver, você aparece nos meus sonhos.
Vida estranha.
Tento te tirar dos meus pensamentos, mas você volta em outras formas.
E lidar contigo me cercando em todas as dimensões não tem sido fácil.
A sua presença mistura tudo o que já senti por ti.
E esse tornado de sentimento me impede de pensar no que fazer.
Não sei se quando te vejo, te abraço ou se te beijo,
Só sei que à noite, eu vejo você!
bons sonhos.

domingo, abril 06, 2014

A mesma história

Percebi que há muito só ouvia a mesma música, só ia aos mesmos lugares e só pedia o mesmo prato naquele mesmo restaurante. Há muito, percebi que a única coisa que eu pensava era em você. Foi a partir daí que troquei as músicas do meu iPod, comecei a ficar mais em casa e mudei a minha dieta. Estava na hora de escrever uma nova história.
E sabe qual o saldo de tudo isso? Negativo.

Emagreci!

segunda-feira, março 24, 2014

Tá desamarrado!

A vida é assim: um cadarço de sapato.
Prende, amarra e solta.
A gente pisa e tropeça em si mesmo.
E muitas vezes, quando alguém avisa que está tudo desamarrado,
Fingimos que nada vai acontecer.

E é aí que, depois de cair,
Amarramos tudo com mais força,
Fazendo um nó naquilo que deveria ser apenas um laço.
E descobrimos que muitas vezes,
O melhor da vida,
Está em andar descalço.

Ainda bem que não tenho frio nos pés.

segunda-feira, março 17, 2014

Au revoir

Eu já deveria ter feito isso há muito tempo.
Todavia, enquanto o meu coração não estivesse disposto a ouvir as minhas razões, eu nada poderia fazer.
Foi difícil. Foi até um pouco triste.
E ainda dói aqui dentro na mesma intensidade.
Sou um cara feliz. Tenho uma família que me apoia em tudo, amigos incríveis e um trabalho legal. 
Quando tudo parece que está dando errado, viajo pra bem longe pra ver como a vida é linda em outro lugar.
Meus problemas se resumem a planejar o meu futuro.
E nessas de decidir entre o que vai e o que fica, achei melhor que você fosse.
Mesmo que meu coração ainda insista para que você volte e fique pra sempre.
Tchau.
Até nunca mais!


sábado, março 08, 2014

Eu mereço!

Fico me questionando. Quebro a minha cabeça. Pego no fundo dos meus pensamentos coisas que talvez pudessem justificar alguma coisa ruim que chegou até a mim. Sou assim, um aspirador de energia que inveja aqueles que conseguem bloquear sentimentos negativos que só fazem mal. Eu poderia dizer que não me importo e deixar pra lá. Mas o meu pra lá fica bem do meu lado, esperando o momento em que vou para outro lugar. Fico me questionando: será que eu mereço isso? Talvez eu não tenha feito nada pra merecer algo de ruim. Mas, mais do que ninguém, acho que mereço aprender. E, sendo positivo, as coisas ruins estão aí pra gente entender também como não deve ser. E é muito bom saber que Deus me manda um monte de exemplo pra isso. É... acho que eu mereço sim!

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Dia de Peito

Acordo todos os dias às 6h da manhã. Tomo o meu banho, arrumo a minha mala para a academia e pego uma carona com a minha mãe até a estação Luz do metrô. Coloco o papo em dia, dou umas broncas nela (estamos naquela fase em que os papéis mãe e filho estão se invertendo) e, para que eu entre no mínimo do aceitável no padrão estético definido pela nossa sociedade, corro para a academia.

Essa semana, chegando na avenida Paulista, eu, assim como outras 500 pessoas, parei no semáforo de pedestre e aguardei o verde para que eu pudesse atravessar a rua. Nisso, uma mulher em cima dos seus 40 anos, da sua saia jeans comprida e seu cabelo amarrado e molhado, abre um pacote de bolacha e joga o papel no chão, assim, em 2014.

Eu não consigo entender qual a dificuldade de uma pessoa jogar um papel no lixo e, por conta disso, dei de louco, cutuquei a mulher e disse: "eu não acredito que a senhora, com a sua idade, jogou um papel no chão. Não tem vergonha, não?". As outras 500 pessoas que estavam junto comigo na calçada pararam tudo o que estavam fazendo pra ver o que poderia ser o início da 3a guerra mundial. Foi quando uma outra mulher, do meu time, gritou: "é isso aí, que absurdo!". E, com isso, todas as outras 500 pessoas vestiram a camisa dos cidadãos do bem que fazem ioga mas não cumprimentam o porteiro do prédio e clamaram para que a mulher tomasse uma atitude.

Sem olhar pra minha cara, ela pegou o papel do chão e eu fui mais feliz pra academia. Era dia de peito!

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Uma carta pra você mesmo

Pois é, Bruno. Não sou a melhor pessoa para te dar conselhos, mas às Vezes não adianta ser um cara certinho e legal. Não adianta ir na academia e vestir uma roupa nova. Às vezes uma conversa não resolve e uma piada não se faz rir. Às vezes não adianta  rezar e falar o que sente. A verdade é que Nada adianta quando as coisas já não dependem mais  de você. E olha, quando isso acontecer de novo, joga tudo pro alto que o universo cuida pra que suas expectativas voem pro espaço. Gaste suas energias naquilo que te faz bem. Amores  não correspondidos nunca foram motivos de grandes sorrisos. E, pra ser sincero, a vida é muito curta pra nos preocuparmos com coisas que um dia serão tão pequenas. Acredite em mim!

domingo, janeiro 26, 2014

Talvez, quem sabe.

O sim é não. O não é talvez. O talvez, quem sabe. Descobri que o não sei, assim como o sim, é não.
Mas de todas as afirmativas, de todas as negativas e de todas as possibilidades, o que me corrói não é a incerteza do talvez.
O que acaba comigo é a espera de uma resposta que nunca vai chegar.
Será que pergunto de novo?
Acho que não.
Então, talvez, quem sabe.

quarta-feira, janeiro 22, 2014

Mude de novo

Sabe aquela história de que se está com fome, come?
se está com sede, bebe?
se está com vontade, beija?
se não está feliz, mude?
Então... acredito que tenho levado tudo isso muito a sério.
Estou sendo mimado por mim mesmo.
E vou ser sempre assim.

Inconstante

Dentre todos os meus traços de personalidade, o humor inconstante é o que mais me faz sofrer. E quando estou bravo, não há palhaço que me arranque um mero sorriso. Sou assim, esgoto meu sentimento até que ele limpe da minha alma tudo aquilo que me encheu de dor.