segunda-feira, outubro 21, 2013

O sol sempre nasce

Sexta-feira pensei muito em você. Fui a uma peça de teatro baseada em um dos filmes que assistimos juntos. Pensei em levar alguém comigo, mas acharia estranho ter naquele instante alguém ao meu lado que não fosse você. Entrei sozinho numa sala escura e sentei exatamente no meio da platéia, onde casais apaixonados se abraçavam para conter o frio do ar condicionado - ainda bem que eu levei uma blusa. Entrei num transe de atenção tão maluco durante o espetáculo, que cheguei ao ponto de esquecer que estava numa sala com tantas pessoas. Muitas das vezes, os atores me olhavam direto nos olhos e diziam muitas das palavras que também um dia ouvi de você. A cada momento que a luz se apagava para a próxima cena, eu aproveitava para enxugar os meus sentimentos que já não cabem há muito no meu coração. Foi uma noite esquisita. Sexta-feira. Sozinho. Teatro. Não sei se combina. Só sei que, se eu morresse e tivesse que escolher um momento para guardar pelo resto da minha eternidade, certamente seria um instante em que o sol estivesse nascendo. É lindo, não é?

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