domingo, julho 28, 2013

A cidade dos óculos de sol em dias de chuva

Para Simone Bertuzzi

Enquanto eu estou tomando uma cerveja geladinha numa praia linda do Nordeste, um terremoto de som chamado despertador me acorda e me dá um tapa de realidade. Ainda na cama, faço aquela checagem básica: facebook, twitter e instagram e percebo o quanto a vida das pessoas também é uma chatice sem fim.

Invento pra mim mesmo uma desculpa pra não ir na academia e me hipnotizo em frente à televisão até o momento tênue entre estar no horário e estar atrasado. Corro, tomo banho, não me enxugo e pego ônibus, metrô e mil escadas rolantes por São Paulo inteira.

Chego na Av. Paulista. Aquele tsunami de gente vindo em sua direção. É trombada de ombro, é bolsada na cintura, é gente querendo te vender a mãe em toda esquina. Abro meu guarda-chuva, coloco meus óculos escuros, aumento o som do meu iPod e me finjo de cego e surdo. Quando alguém me pede alguma informação, eu respondo: "I'm sorry, I don't speak Spanish". Sei lá, preguiça de falar logo de manhã. E São Paulo é uma cidade estranha. Uma cidade grande cheia das mesmas pessoas.

Nesses caminhos todos sempre encontro algum amigo, algum ex-amor, alguma pessoa que não queria ter visto. E, foi numa dessas, que atravessando na faixa de pedestres da Rua da Consolação, que avistei de longe a Simone.

A Si é uma pessoa incrível. Metade gaúcha, metade paulista. Trabalhou comigo na DM9 e fazia o nosso ambiente de trabalho ser um lugar ainda mais divertido. Cheia de ideias e histórias engraçadas.

Me empolguei vendo a Si de longe, toda chic, de óculos escuros e um casaco vermelho. Corri então e dei um abraço bem apertado, girando ela pela faixa de pedestres, fazendo um lindo pas de deux digno da Dança dos Famosos. 

Foi quando a menina tira os óculos escuros e me pergunta: 
- Pera aí, mas a gente se conhece????????
...
- Não, querida. A gente não se conhece. Mas queria que você soubesse que foi um prazer!!!!!

E continuei o meu caminho pra agência como se nada tivesse acontecido. 

São Paulo é uma cidade maluca. Cada uma que ela nos obriga a fazer.

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