segunda-feira, dezembro 16, 2013

Abracadabra!

A vida apertou demais o meu coração e, em vez de pedra, virou pó. Teve gente que cheirou e ficou muito louca. Outros, ainda, assopraram como em vela de aniversário que não apaga nunca mais. E aí me peguei dando uma de terapeuta com quem enlouqueceu, enquanto limpava a sujeira dos outros. Vida triste. A dos outros, não a minha.
Aprendi que uma hora a vida desafrouxa, desabrocha, o nó vira laço e o pó vira magia.
Abracadabra!

Fila do pão

Acredito que um dia a gente ainda vá se reencontrar. Não por aí, na fila do pão. Mas ali, naquele lugar, onde eu perdi vc.

O pão está caro, né?

domingo, dezembro 15, 2013

Acabou de começar

15 dias pro ano acabar. Quanta coisa começou e não terminou e quanta acabou sem começar. O ano foi de um verão cheio de nuvens e um inverno quente. No outono, as lágrimas caíram junto com as folhas e, na minha primavera, nunca tantas margaridas apareceram no meu jardim. A expectativa pelas coisas inesperadas, a procura por coisas que não foram perdidas e a saciedade de vontades desnecessárias continuam. E os meses levam embora aquilo que já não cabe dentro de mim.
2013 foi um ano que muita coisa começou e terminou.
E aí eu me dou conta que a vida acabou de começar. Tudo de novo!

segunda-feira, outubro 21, 2013

O sol sempre nasce

Sexta-feira pensei muito em você. Fui a uma peça de teatro baseada em um dos filmes que assistimos juntos. Pensei em levar alguém comigo, mas acharia estranho ter naquele instante alguém ao meu lado que não fosse você. Entrei sozinho numa sala escura e sentei exatamente no meio da platéia, onde casais apaixonados se abraçavam para conter o frio do ar condicionado - ainda bem que eu levei uma blusa. Entrei num transe de atenção tão maluco durante o espetáculo, que cheguei ao ponto de esquecer que estava numa sala com tantas pessoas. Muitas das vezes, os atores me olhavam direto nos olhos e diziam muitas das palavras que também um dia ouvi de você. A cada momento que a luz se apagava para a próxima cena, eu aproveitava para enxugar os meus sentimentos que já não cabem há muito no meu coração. Foi uma noite esquisita. Sexta-feira. Sozinho. Teatro. Não sei se combina. Só sei que, se eu morresse e tivesse que escolher um momento para guardar pelo resto da minha eternidade, certamente seria um instante em que o sol estivesse nascendo. É lindo, não é?

Ou vem ou volta.

Às vezes eu desejo que você não exista mais. Só para eu não ter que esperar pelo dia que você iria voltar. Ou vem, ou volta.

Cena 1

Sabe, eu queria tanto te falar um monte de coisas. Do quanto tudo está tudo bem, do quanto tudo vai dar certo. Queria tanto te falar pra aproveitar mais a vida. Pra ir viajar. Ver de novo o mar. Queria tanto te dizer um monte de coisas boas que te fizessem se sentir mais especial. Queria tanto conversar contigo e dizer que a vida não acaba enquanto ainda vivemos e temos uns aos outros. Mas aí eu se eu falasse tudo isso que está preso aqui dentro, eu estaria invertendo muitos dos papéis que, de verdade, a gente nunca representou. Talvez o que você precisa mesmo não é dos meus conselhos, mas sim um curso de teatro. Tenho um papel ótimo pra você!

segunda-feira, setembro 16, 2013

Gente Mala

Sempre fui um pouco mal humorado. Um pouco não, bastante. E sofro com isso porque muitas vezes acabo tomando umas atitudes meio “o que eu acabei de fazer agora?” com as pessoas. E me arrependo. Aí vem toda a função/drama de explicar os motivos e pedir desculpas. Preguiça. Foi então que eu resolvi que não adianta eu apenas ter conhecimento de um defeito meu sem tentar mudá-lo.

Conversando outro dia com uma amiga, que me faz muito refletir sobre a vida, cheguei à conclusão que eu deveria fazer alguma coisa de bom pra alguém todos os dias.

Pensei em ligar pra geral perguntando se estavam precisando de alguma coisa, mas quem usa telefone pra falar hoje em dia? Pensei em sair abraçando as pessoas pela rua (às vezes é tudo o que elas precisam), mas acredito que eu daria certeza às pessoas quanto a minha loucura. Pensei em fazer um trabalho social com crianças carentes/velhinhos abandonados, mas isso iria contra o meu momento praticando o desapego que preferi quebrar a cabeça mais um pouquinho. E, enquanto pensava nisso, saindo do metrô, me deparei com uma mulher carregando uma mala/bigorna nas escadas. Perguntei se ela queria ajuda e ela agradeceu e suspirou aliviada. A mala nem estava tão pesada, pelo menos pra mim. A mulher me agradeceu com um sorriso e fui embora.

Ok, não fiz diferença na vida de ninguém. Grande coisa carregar uma mala num mundo de gente que não tem nem o que colocar numa mala para carregar. Porém, sendo bem egoísta e pensando na história de que preciso acabar com o meu mau humor pra aí sim acabar com a fome do mundo, a energia daquele sorriso de agradecimento me fez um bem que finalmente decidi: vou sorrir mais paras as pessoas. E pra vida também.


E viva o clareamento dental. =)

domingo, julho 28, 2013

A cidade dos óculos de sol em dias de chuva

Para Simone Bertuzzi

Enquanto eu estou tomando uma cerveja geladinha numa praia linda do Nordeste, um terremoto de som chamado despertador me acorda e me dá um tapa de realidade. Ainda na cama, faço aquela checagem básica: facebook, twitter e instagram e percebo o quanto a vida das pessoas também é uma chatice sem fim.

Invento pra mim mesmo uma desculpa pra não ir na academia e me hipnotizo em frente à televisão até o momento tênue entre estar no horário e estar atrasado. Corro, tomo banho, não me enxugo e pego ônibus, metrô e mil escadas rolantes por São Paulo inteira.

Chego na Av. Paulista. Aquele tsunami de gente vindo em sua direção. É trombada de ombro, é bolsada na cintura, é gente querendo te vender a mãe em toda esquina. Abro meu guarda-chuva, coloco meus óculos escuros, aumento o som do meu iPod e me finjo de cego e surdo. Quando alguém me pede alguma informação, eu respondo: "I'm sorry, I don't speak Spanish". Sei lá, preguiça de falar logo de manhã. E São Paulo é uma cidade estranha. Uma cidade grande cheia das mesmas pessoas.

Nesses caminhos todos sempre encontro algum amigo, algum ex-amor, alguma pessoa que não queria ter visto. E, foi numa dessas, que atravessando na faixa de pedestres da Rua da Consolação, que avistei de longe a Simone.

A Si é uma pessoa incrível. Metade gaúcha, metade paulista. Trabalhou comigo na DM9 e fazia o nosso ambiente de trabalho ser um lugar ainda mais divertido. Cheia de ideias e histórias engraçadas.

Me empolguei vendo a Si de longe, toda chic, de óculos escuros e um casaco vermelho. Corri então e dei um abraço bem apertado, girando ela pela faixa de pedestres, fazendo um lindo pas de deux digno da Dança dos Famosos. 

Foi quando a menina tira os óculos escuros e me pergunta: 
- Pera aí, mas a gente se conhece????????
...
- Não, querida. A gente não se conhece. Mas queria que você soubesse que foi um prazer!!!!!

E continuei o meu caminho pra agência como se nada tivesse acontecido. 

São Paulo é uma cidade maluca. Cada uma que ela nos obriga a fazer.

segunda-feira, julho 22, 2013

Próxima estação: Verão

O banco da estação já tinha o formato do seu corpo. Todos os dias, depois do trabalho, era lá que ele sentava e esperava a vida passar. À 1h05, exatamente, ele pegava o último trem de volta para a sua casa.

Assim que chegava em casa, tomava um banho quente até que seus dedos começassem a enrugar. Escrevia nomes no vidro do box, lia o rótulo do shampoo e segurava o esfregão como um Oscar, agradecendo sempre à Academia pelo ótimo reconhecimento ao papel de louco que se prezava todos os dias.

Já na cama, cobria seus pés para que a madrugada não congelasse ainda mais seu coração partido. Ele era metade tristeza, metade saudade. Religiosamente, rezava todas as noites para que alguém especial descesse de um daqueles vagões de trem, os quais assistia, hipnotizado, suas chegadas e partidas.

Foi então que, no dia seguinte, um imprevisto no trabalho fez com que ele se atrasasse a chegar na estação. Ele correu o máximo que pode para não perder o trem das 18h12. Mas, assim que chegou, percebeu que uma outra pessoa estava sentada no seu banco. Com tantos outros bancos para se sentar, numa estação grande como aquela, por que aquela pessoa foi logo sentar ali? Quem é ela? O que ela pensa?

Passada a análise sem critério em cima de alguém que não deve valer nada, talvez esteja na hora de trocar de banco para ter uma visão diferente das coisas. Talvez ainda esteja na hora dele entrar num desses trens e ir para uma outra estação. Afinal de contas, o inverno não é a estação exata para se ver a vida passar. Ainda mais para aqueles que esperam por um passageiro que não viaja mais de trem.



domingo, junho 09, 2013

Deu R$10,90.

É sábado à noite. Enquanto todos estavam por aí procurando uma festa para ir, eu estava procurando um livro pra ler. Tem dias que sou assim. Quando percebo que meu humor atingiu o ápice do inconstante, coloco qualquer roupa e fujo para uma livraria. Às vezes acho que só as palavras me entendem. 

Peguei o livro de uma autora/atriz que gosto dos pontos de vista e fui pro caixa, onde obviamente um pai exemplo com sua filha abercrombie furou a fila. Tive que desalinhar todos os meus chakras no processo de avisá-los que existia uma sequência de atendimento e que as pessoas que estavam organizadas em fila indiana não estavam ali à toa. 

Enquanto saía da livraria pensando na bomba de chocolate que deixei na geladeira de casa, uma garota asiática me para perguntando se pode tirar uma foto minha. Oi? Look street style do dia na livraria. Faço o símbolo de paz e amor e recebo o flash como um tapa na cara de um pouco de realidade. "Meu Deus, parem de interferir nos meus pensamentos!" pensava no momento em que um menino carregando um caixote para engraxar sapatos se ajoelhou na minha frente me implorando um café com leite. 
- Quer um pão de queijo também? Moça, me vê um café com leite e um pão de queijo, por favor.
Aí sinto um cutucão no meu ombro. Era o segurança dizendo que o menino engraxate não poderia ficar ali. 
- Olha meu senhor, o meu amigo vai ficar aqui comigo até ele terminar de comer. Você quer mais alguma coisa?

Corri para o metrô antes de ser atingido por uma chuva de aerolitos. Chegando na catraca, uma senhora de uns 50 anos estava rodando a baiana com os funcionários do metrô, não deixando ninguém passar na frente dela. 
- Sra, qual o problema? - perguntei.
- Meu bilhete único não está funcionando, esse país é um lixo, essa cidade é um caos, as pessoas não se respeitam e... - e nesse instante só via a boca dela se mexer sem mais ouvir o que estava dizendo.
- Pronto! Vou passar aqui o meu bilhete e a Sra pode passar. Não fique nervosa senão vai ter um piripaque.
E aumentei a Enya no meu IPod.

Entrei no vagão. Uma pessoa entrou correndo na minha frente e sentou na única cadeira livre. Foda-se, pensei. Uma mãe com 4 crianças gritava no telefone dizendo que os filhos eram muito levados e que a mais nova tinha arrancado o brinco da orelha que agora estava sangrando. A menina chorava porque tinha perdido o brinco. O irmão ajudava ela a procurar. A mãe gritava: "AGORA JÁ ERA. AGORA PERDEU, AGORA NUNCA MAIS!" E a Enya não fazia mais nem cosquinha no meu ouvido. Foi então que eu vi ao longe algo brilhante. Corri antes que alguém pisasse. Era o brinco da menina! E, enquanto eu entregava o brinco da menina, a mãe no telefone gritava: "AGORA TÁ CHORANDO PELO BRINCO PERDIDO, É, O DE FLORZINHA!". Entreguei o brinco pra menina e me virei em direção ao local onde antes eu estava parado tentando lembrar do que eu estava pensando. Senti um puxão na minha blusa. Virei pra ver o que era dessa vez. Era a menina pedindo para eu abaixar. Já pedindo redenção abaixei e ela me lascou um beijo todo melado de bala de cereja. "Obrigado, tio!" e desceu na próxima estação.

Cheguei no terminal de ônibus no momento em que o meu ônibus tinha acabado de partir. Peguei um taxi.
- Dia difícil? - perguntou o taxista.
- Se eu te contar você acredita?
- Já ouvi cada história!
- Bom, é sábado à noite. Enquanto todos estão por aí procurando uma festa para ir, eu só estava procurando um livro pra ler...



quarta-feira, junho 05, 2013

Injeção de ânimo

Chega uma hora que você precisa vomitar tudo aquilo que engoliu. E aí você percebe que o que estava te fazendo mal não era o pão de queijo que você comeu na manhã daquele dia corrido. O que estava te fazendo mal eram as palavras que ficaram engasgadas no coração que não acreditava mais no amor.

Por um triz

É dia de frio sem blusa. É gente que usa e abusa. É correria atrás do ônibus lotado que eu peguei errado. É o email gigante sem o anexo enviado. É mãe, é pai, é tia. É mais um dia sem ir na academia. É gente que não te dá bom dia. É passo em vão. É namorado que resolve do nada dizer não.

É triste. É feliz. É a vida mostrando que tudo sempre está por um triz.

domingo, maio 19, 2013

Notas mentais pra próxima vida #1

Quando encontrar alguém com quem passaria a vida inteira conversando, case-se com ele. Mesmo que ele seja ciumento, maluquinho e às vezes um pouco mimado.

As pessoas não são perfeitas, nunca vão ser. Elas também nunca vão mudar, nem você.

quarta-feira, abril 10, 2013

Fotografia

Eu nunca acreditei que fosse amar alguém de novo. Ando há muito procurando os pedaços do meu coração que foi jogado do sétimo andar de um apartamento na zona oeste. Até tentei juntar o que encontrei por aí, mas montar quebra cabeças nunca foi o meu forte, me falta paciência.
Procurei por lugares ainda inexplorados alguém que tivesse essa paciência que me falta e o carinho que eu preciso. Procurei por aí alguém que me fizesse dar altas gargalhadas e que me permitisse encher de lágrimas os meus olhos sempre tão constrangidos de revelar sentimentos de afeto. E foi aí que num sábado de cara feia e triste, quando decidi parar de procurar, que encontrei gestos bonitos em uma pessoa linda.
A cada dia que penso em você fico mais feliz. A cada hora que passa, me apaixono de novo. A cada minuto que se segue, te amo ainda mais.
Obrigado por ter me encontrado por aí.
Fotografia!

terça-feira, março 19, 2013

Para as mulheres mais lindas do mundo

Apesar de morar exatamente na frente da minha escola, minha mãe sempre fazia questão de me buscar na saída. Dizia ela que tinha medo de eu e meu irmão atravessando a rua sozinhos, mas, no fundo, acredito que ela queria mesmo era fofocar com as outras mães.
Era 1991 e eu estava na 3a série D, com a Tia Ana Laura. O sinal tocou e saí correndo à procura da minha mãe para mostrar o meu 10 na prova de matemática. E, ao longe, avistei uma mulher de jaqueta de couro e metade do cabelo pintado de vermelho. Ousado e radical para uma mãe de um estudante de um colégio alemão. De vergonha, fingi que eu não a conhecia e atravessei sozinho até chegar no meu prédio.
Quando cheguei em casa, a minha mãe me sentou no sofá e disse que precisava me contar uma história:
"Havia um menino pobre de 8 anos que o que ele mais gostava no mundo era andar de mãos dadas com a mãe por aí. Um dia, distraído com a vitrine de brinquedos do shopping, ele acabou soltando da mão da mãe e se perdeu. Chorando, pediu aos policiais que o ajudassem a encontrar a sua mãe desaparecida. Foi então que os policiais perguntaram ao menino: 
- Mas como é a sua mãe?
- A minha mãe é uma mulher muito bonita!
Foi então que anunciaram no shopping para que as mulherem mais bonitas comparecessem à sala de segurança. 
- Não! Minha mãe é muito mais bonita do que elas!!!!
E chamaram as mulheres mais bonitas do bairro.
- MINHA MÃE É MAIS BONITA DO QUE TODAS JUNTAS!
E vieram as mais bonitas da cidade.
- MINHA MÃE É MUITO MAIS BONITA!
E trouxeram as Misses de cada estado do Brasil.
- MAIS BONITAAAAAAAAA!
E convocaram as mulheres mais bonitas do planeta. No meio daquele vuco-vuco, apareceu uma velhinha - toda suja, de bobes e lenço no cabelo, com um saco de supermercado na mão como bolsa - gritando como louca.
- Senhora, se afaste, estamos tentando resolver um desaparecimento - disseram os policiais.
E foi então que o menino saiu correndo em direção à velhinha com os braços abertos e o sorriso no rosto. Abraçou bem forte, olhou para os policiais e disse:
- Obrigado por encontrarem a minha mãe!!! Ela não é a mulher mais linda do mundo?"
Fiquei um pouco chocado com a história. Me lembro bem. 
No dia seguinte, saí da escola ao encontro da minha mãe, vulgo Radical Chic, na esquina. Ela estava com uma faixa na cabeça cobrindo o cabelo vermelho bombeiro. Não falei nada. Apenas dei a mão e atravessamos a rua, juntos.
No elevador, pedi pra que ela me levantasse pra que eu pudesse apertar o 12. E foi aí que perguntei: 
- Mãe, de onde vc tirou a história da mulher mais linda do mundo?
- A sua vó me contou uma vez! Ela não é a mulher mais linda do mundo?

É mãe, ela é a mais linda!

terça-feira, março 12, 2013

Amiga canguru

E depois de 3 horas conversando:
- Porra Aline, tamo conversando há horas e vc nem pra me avisar que minha braguilha está aberta.
- Ai Bru, eu vi, mas é que eu tenho tanta coisa pra te falar que pensei comigo mesma: depois aviso ele.

Amo meus amigos.

segunda-feira, março 11, 2013

Eu quero!

Acho que era domingo de manhã e a gente estava deitado na sua cama com um milhão de travesseiros. Percebi que vc me olhava bem no fundo dos olhos e não prestava atenção no que eu dizia. E foi aí que surgiu a sua pergunta no meio da minha frase:
- Quer namorar comigo?
Te pedi um tempo pra pensar e sabe, depois de quase 6 meses pensando, te respondo:
- A gente já estava namorando.
E é uma pena que eu não sabia disso. E, pelo jeito, nem vc.
- Quer voltar comigo?

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Boa viagem

Andar de avião, pra mim, é sempre um desespero. Já na fila do check in eu começo a analisar os esteriótipos das pessoas dignas de estamparem os noticiários dos programas vespertinos que adoram tragédia. Se no voo eu encontro o combo freira + casal gay + artista em decadência, é batata! acidente na certa! Meu avô, sistemático e um super apaixonado por voar, me lembra a toda vez escolher a última poltrona. Segundo ele, se um avião cair, ele cairá de bico. Sendo assim, a probabilidade de haver sobreviventes está nos fundos do avião. Meus amigos não entendem algumas das minhas manias, discutem, e acabam sentando longe de mim - preferem as cadeiras que reclinam. Aí, no meio da viagem vão até a minha poltrona saber se ainda esto vivo, onde durante as 12 horas de viagem eu não pisquei tentando fingir naturalidade.
Dia desses abri uma nova pasta no meu computador nomeada "EM NOME DE JESUS", para que, no caso de um desastre aéreo em que eu esteja envolvido, a minha mãe saiba exatamente quais fotos eu gostaria que fossem divulgadas juntamente, claro, com um releasezinho que eu mesmo escrevi para evitar exaltações de qualidades e defeitos que pra mim não são muito importantes.
Sabe o que acho estranho? Quando criança eu adorava andar de avião, roubava as escovas de dentes que distribuíam nos vôos da Pan Am e pedia sempre pra aeromoça me levar na cabine do piloto pra eu ver os botões todos piscando.
Fiquei aqui pensando: talvez o meu problema não esteja com altura ou longas distâncias. O meu problema está em não estar no controle.
Boa viagem!

Para você com quem eu falei agora pouco.

Fuja para lugar nenhum. Senta no meio do nada pra poder pensar que tudo que foi não ficou porque já tinha hora certa pra ir. E não adianta esperar que, mesmo que ele volte, você já estará mais pra frente. Pare de perder seu tempo acreditando que o amor já passou e que o mundo não tem mais jeito. Só pra te lembrar, aquele, que falou aquilo pra vc, ficou lá, naquele dia. E dias passados como aquele são pretéritos imperfeitos de uma frase que você já deveria ter colocado um ponto final. Grita, berra e chora! Ouvi dizer que vida sorri pra quem abusa das exclamações.

Um beijo e boa semana!

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Segunda de sol

Não quero ninguém pra sempre vivo em meu coração. Quero as pessoas, carne e osso, olho no olho. Quero suas histórias, seus conselhos, seus abraços. Quero o sorriso largo e esses olhos puxados azuis. Quero isso pra sempre. Difícil ver você partindo na minha frente e não saber como me despedir e agradecer. Que egoísmo meu querer tudo isso, assim, agora, numa segunda-feira ensolarada como eu tanto pedi.

Segunda de cinzas

É fevereiro. E, enquanto o resto dos brasileiros pulam o Carnaval bebendo a felicidade que não extiste, eu jogo meus confetes de verdades na minha cara. A bebida, o dinheiro e a ressaca um dia acabam - experiência própria. É Carnaval. E, enquanto o resto dos brasileiros usa máscaras para esconder quem realmente é, eu jogo serpentinas de tristeza pela minha janela fechada. Alalaô!