sexta-feira, novembro 09, 2012

O fim do mundo

Deu no jornal: o mundo ia acabar. E não entendi toda a preocupação do fim do mundo - o meu já tinha acabado tantas vezes e sempre começou outro - mas todo mundo corria por aí. Uns saiam sem roupa gritando liberdade, outros simplesmente esperavam pelo retorno de Jesus (que na verdade foi comprar cigarro e nunca mais voltou). Outros ainda tinham a coragem de pegar seus carros que os levariam a um caminho que não se anda. As linhas telefônicas, congestionadas, eram lotadas de palavras de amor que esperaram o fim do mundo para serem ditas. Palavras certas em momentos incertos para pessoas erradas.  Muita atitude pra pouco tempo. Tempo perdido, pensei. 
E no dia que o mundo então deveria estar queimando ou alagado, não sei, o dia estava normal. A única diferença era que a padaria não tinha o croissant de calabresa, meu preferido. Acho que não fizeram mais porque provavelmente só eu que gostava daquela coisa cheia de óleo. Peguei uma água e segui a pé de volta pra casa. Era cachorro latindo, era vizinho brigando. Era carro batendo, era o chão tremendo. Tudo acontecia naquele exato instante, ao mesmo tempo e agora. E eu que pensava que quando o mundo acabasse eu ia me desesperar, ia sair correndo pelado por aí gritando liberdade. Na verdade eu estava esperando que tudo acabasse mesmo, sabe? Pra começar tudo de novo...

Um comentário:

Mara Ribeiro disse...

Sempre necessário uns recomeços para a vida voltar a ser colorida novamente.
Bjo no coração.