sábado, dezembro 15, 2012

A palavra tem 10 letras

Sempre acreditei que antes de nascermos escolhermos o por tudo que vamos passar. E aí, quando me vejo em algumas situações difíceis, sento e procuro a solução do problema. Afinal de contas, fui eu que decidi passar por eles.
Acredito também que, assim como um livro de palavras cruzadas, tudo tem uma solução. Algumas respostas a gente já sabe de cor. Outras ainda, a gente precisa ir até a última página para encontrá-las.
O problema é que eu tenho mania de rasgar a página de respostas. Autossabotagem digna de um leonino. Talvez eu queira ter o prazer de encontrar as coisas sozinho, mesmo essas coisas todas se resumindo a uma palavra que eu sabia de cor:
felicidade.

sexta-feira, novembro 09, 2012

O fim do mundo

Deu no jornal: o mundo ia acabar. E não entendi toda a preocupação do fim do mundo - o meu já tinha acabado tantas vezes e sempre começou outro - mas todo mundo corria por aí. Uns saiam sem roupa gritando liberdade, outros simplesmente esperavam pelo retorno de Jesus (que na verdade foi comprar cigarro e nunca mais voltou). Outros ainda tinham a coragem de pegar seus carros que os levariam a um caminho que não se anda. As linhas telefônicas, congestionadas, eram lotadas de palavras de amor que esperaram o fim do mundo para serem ditas. Palavras certas em momentos incertos para pessoas erradas.  Muita atitude pra pouco tempo. Tempo perdido, pensei. 
E no dia que o mundo então deveria estar queimando ou alagado, não sei, o dia estava normal. A única diferença era que a padaria não tinha o croissant de calabresa, meu preferido. Acho que não fizeram mais porque provavelmente só eu que gostava daquela coisa cheia de óleo. Peguei uma água e segui a pé de volta pra casa. Era cachorro latindo, era vizinho brigando. Era carro batendo, era o chão tremendo. Tudo acontecia naquele exato instante, ao mesmo tempo e agora. E eu que pensava que quando o mundo acabasse eu ia me desesperar, ia sair correndo pelado por aí gritando liberdade. Na verdade eu estava esperando que tudo acabasse mesmo, sabe? Pra começar tudo de novo...

Mil tentativas

Eu tento tudo, juro. Aceito um convite pra jantar num restaurante bacana, vou numa padaria que virou boteco pra tomar uma cerveja em copo americano, pago metade do meu salário num taxi que não me levou a lugar nenhum. Eu tento, sério! Tento me interessar pelo papo dos outros sobre os outros, tento não desviar o meu olhar dos olhos de alguém que me olha de uma forma que eu não me sinto confortável. Tento não ser rude quando alguém coloca a mão sobre a minha coxa. A verdade é que eu tento encontrar você em outras pessoas que pensam que talvez eu exija demais. Eu exijo demais de mim mesmo, taí as minhas crises de ansiedade que não me deixam mentir. Eu até tento um beijo que não encaixa, um abraço que não abraça. Tento um telefonema sem assunto, um filme europeu hollywoodiano. Se eu não tivesse queimado todas as sua lembranças, pegaria a sua foto mais bonita e mostrava pra quem tenta: Ó É ASSIM QUE TEM QUE SER PRA EU GOSTAR DE VOCÊ! Mas não vou fazer isso. Seria loucura. E de loucura já basta a que eu fiz quando pedi pra você nunca mais voltar. Eu tô tentando!

terça-feira, novembro 06, 2012

Entra e sai

Quando você sair, que seja pela porta da frente; ainda que você mesmo tenha que procurar a chave escondida num lugar que você deixou quando entrou. Quando entrou pelo cano, claro.

O vazio da falta de nada

Quando tiram alguma coisa da gente é normal que sintamos falta. Quando vemos que aquilo que era nosso e agora foi dado pra outro alguém, a gente sente raiva. Em vez de pensar que o que era meu agora é de outro, prefiro pensar que o que era meu não existe mais. Afinal, entre sentir raiva ou falta, prefiro o vazio que, pensando bem objetivamente, pode ser preenchido com qualquer outra coisa que não seja você.

Estou cheio hoje, acho que comi chocolate demais.

domingo, outubro 07, 2012

Sábado à noite

É sábado à noite. Dia de encontrar os amigos e se sentir vivo em meio ao monte de gente desesperada que olha por todos os lados em busca de um flerte perdido no ar. É dia de brindar a vida, de beber, de dar risadas altas e sem sentido. Ele não pode perder tempo, então aumenta o som da sua canção favorita pra poder dançar enquanto toma aquele banho demorado. Deixa a água levar pelo ralo tudo aquilo que ficou grudado em sua memória pela semana difícil. Mal se enxuga, seca o cabelo e escolhe uma camiseta branca pra contrastar com a cor que pegou durante a tarde. Coloca suas calças confortáveis, lava o rosto com água gelada e dá um beijo no espelho: tá bonito! Corre, corre, corre. Pula na cama, entra debaixo das cobertas. Apaga a luz. Dorme. Porque, na verdade, sábado à noite é o novo domingo. Boa balada!

segunda-feira, setembro 24, 2012

Você me encontra lá?

É sábado à noite. Toda a vez que eles se encontram é a mesma coisa. É como se não existisse todo mundo que não fosse os dois. E olha que, quando a vida trata de brincar de "vamos fazer eles se encontrarem novamente", ela ousa enfiar um monte de gente num espaço que não caberia mais ninguém.
Deve existir um lugar onde o destino não aparece sem avisar.
Vou procurar e te aviso.
Você me encontra lá?


domingo, agosto 05, 2012

Tudo bem, eu espero!

Aí ele espera. Pela ligação que não chega, pela presença que não vem. Pelo cheque que não cai, pela dor que não vai. Pela música na rádio e pelo fim de semana de sol.
Ele senta, espera e percebe que a vida é muito curta pra se esperar tanto tempo por coisas que não voltarão. E, ao ligar o radio, a sua música preferida foi pedida por um ouvinte, bem no instante em que ele já não esperava mais nada, de ninguém.

segunda-feira, julho 30, 2012

Mil palavras

E se um sorriso vale mais que mil palavras, eu li um livro inteiro nesse final de semana.
Mal posso esperar pelo volume 2.

quinta-feira, julho 26, 2012

Um daqueles dias

Era um dia qualquer daqueles em que a solução de um rosto de noite mal dormida se resolve vestindo uma nova camisa. Daqueles em que as músicas do rádio não entram no compasso dos passos apressados atrás de algo que cisma em fugir. Era um dia daqueles em que o tempo não sabe se molha ou se seca. Daqueles em que o elevador está quebrado, sabe?
Era um daqueles dias em que ele acreditava que nada estava sob o seu controle.
Foi então que o telefone tocou. E, decidido a fazer desse dia um diferente daqueles outros, sorriu e resolveu não atender. Porque, na vida, quase tudo está sob o seu controle.

terça-feira, julho 10, 2012

Vamos nos ver?

- Vamos nos ver?

Resposta padrão:

Talvez a gente possa se ver, se por acaso nos encontrarmos por acaso por aí. Mas combinar de te encontrar? Hm... não vai rolar. Sabe, tenho feito algumas escolhas na vida e escolhi que ninguém no mundo tem o direito de me fazer sentir um pouquinho menos do que eu sou. Mesmo sem querer, você faz isso e eu já passei por tantas que aprendi a ser assim mesmo.

A gente se vê por aí.

Beijos!

segunda-feira, junho 18, 2012

O vazio que eu tenho aqui dentro

- Não, você não sabe o que eu estou sentido. A verdade é que você não tem a mínima ideia do que acontece aqui dentro. Mesmo se você se colocasse no meu lugar, não conseguiria sequer entender o que me faz ser assim, desse jeito. E, ainda que você estivesse desse lado da situação, pensaria com a sua história que, sejamos sinceros, só teve graça a partir do momento que me conheceu.

E, sem esperar uma resposta para uma pergunta que não viria, pegou seu casaco e foi em direção à porta. Dessa vez, para nunca mais voltar.

terça-feira, maio 01, 2012

O nascer do sol

E ele ficou ali, acompanhado de alguém especial, assistindo o nascer do sol, como se aquela cena não acontecesse todos os dias. E, de joelhos dobrados e pés cruzados, acompanhou atentamente do 13o andar do hotel, o clarear do céu escuro. Nunca isso tivera tanta importância e, mal sabia ele, que essa cena passaria no filme da sua vida por todos os dias da sua eternidade.
Assim como o sol nasce, ele também se põe. E é difícil lidar com o céu escuro. Porém, vendo pelo lado bom, o contraste das estrelas não teria sentido num céu azul turquesa.
Hoje, alguns anos exatos depois, ele também esperou o nascer do sol, agora, do 13o andar de seu apartamento, sozinho. Dessa vez, o céu estava nublado e ele nao viu o sol nascer. Mas ele tinha certeza: o sol sempre nasce, mesmo quando a gente não o vê.

terça-feira, abril 24, 2012

O que é tristeza?

Tristeza é acordar durante a noite e olhar o travesseiro ao lado, vazio. É um domingo de manhã nublado. É ir sozinho até a padaria comprar um refrigerante dois litros para curar a ressaca do dia anterior. Tristeza é sair pra fumar um cigarro numa festa enquanto toca a nossa música. É jantar num sábado à noite olhando para o celular à espera de uma ligação que não vai chegar. É te olhar nos olhos e ver que eu não reflito mais na sua pupila.
Pensando bem, acho que isso não é tristeza.
É amor.

segunda-feira, abril 02, 2012

Cadê você?

Só saiu do chuveiro depois que a água quente já tinha enrugado todos os seus dedos. Aumentou a música do Right Said Fred e, enquanto dançava pro espelho, fazia penteados com os cabelos ainda molhados; o pente era o microfone. Fez a barba com cuidado, não enxugou as costas. Escolheu a melhor cueca e procurou no varal pela camiseta preferida. Vestiu a calça que já tinha o formato do seu corpo. Calçou seu tênis que acompanha seus passos nos dias especiais. Do fundo da sua gaveta, tirou o seu perfume que todo mundo quer saber o nome. Para um sábado à noite, sair de casa é um evento. Ele é daqueles que acredita na sorte de encontrar um grande amor no supermercado, mais especificamente na área dos chocolates. É lá onde as pessoas solteiras confidencializam os seus vícios através de olhares e sorrisos. Dessa vez, procurou por algum chocolate diferente, mas infelizmente ainda não conseguiu abrir mão da segurança do sabor do chocolate branco. Pagou e foi embora. Não havia ninguém de especial no supermercado aquela noite. Talvez ele tivesse que ir com um outro objetivo: o de comprar maçã. Maça é a fruta do amor, não?

segunda-feira, março 12, 2012

Fecha o olho e abre a porta

Hoje estou naqueles dias. Naqueles em que a gente precisa chorar. Não, não tenho motivos. Não estou triste, tampouco feliz. Só estou aqui sozinho nesse mundo cheio de gente, com vontade de chorar. Chorar é tomar um banho interno, de sal grosso. Chorar é condensar os sentimentos vaporizados, é deixar vazar os sentimentos que temos de mais. Hoje estou naqueles dias em que não me caibo dentro de mim. E quando eu penso que vou explodir, as lágrimas saem pelos meus olhos.
E aí eu sorrio e penso: sempre existe uma saída!

All in!

O amor é como um jogo de poker. O legal é apostar tudo quando você tem certeza que vai ganhar. Acredito que vou ganhar sempre, mas não apostaria nada por você. Se bem que minhas fichas estão acabando e você não vale nada mesmo.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Me mata de amor

- Mas e então, qual o seu problema? Você é bonito, inteligente, engraçado... morro de rir com você!
- Não quero alguém que morra de mim, quero alguém que morra por mim.
- Tenho certeza que existem milhares que morreriam por você.
- Existem, claro. E, posso falar? Já matei todos eles!
- Bom, sempre tem um sobrevivente!
- Eu sei... sou um deles!

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Os meus velhos sapatos

Quando eu era criança acordava durante a noite, chorando. O crescimento dos ossos das minhas pernas me fizeram sofrer de dor. Eu mal conseguia levantar para pedir ajuda aos meus pais/irmãos. Como era difícil crescer. Quando eu era criança, eu mal sabia que as dores do crescimento iam além da dor nas pernas.
Andei muito por aí. Houve momentos em que me carregaram no colo, quando eu estava cansado. Em outros, porém, fiz longas caminhadas que, vistas de longe, pareceram feitas em um pé só. Mas vocês já pensaram o quanto andar em um pé só é mais difícil do que usar as duas pernas? Sou um pouco consumista com roupas, mas só troco meus tênis quando eles não me servem mais. Apesar disso, chega uma hora em que a gente para de crescer e, mesmo assim, alguns dos nossos sapatos antigos não servem mais. Talvez seja o breve instante em que paramos de crescer para começarmos a evoluir.
Quando chegar em casa, a primeira coisa que eu vou fazer é ficar descalço.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Nós não vamos pagar nada!

Ser classe C não é fácil. Pior ainda é quando você está inserido em um meio social em que as pessoas acreditam que você tem o mesmo nível econômico (aquela coisa de estudar na FAAP e ir de ônibus). Não me faço de nada pra ninguém, prefiro que as expectativas ao meu respeito sejam baixas para que eu consiga superar todas elas. Teoria podre pra quem se considera um bocado inteligente.
Depois que fui morar sozinho, entendi o papo das pessoas sobre o preço do papel higiênico e sobre a louca procura pelo lugar onde vende o alface mais fresquinho. Proletariado sem prole.
Além disso, descobri que tudo o que a gente come da geladeira, acaba; sem contar que quando a gente não divide, as coisas estragam. Finjo naturalidade como se já soubesse de tudo isso de vidas passadas.
Há alguns dias, quase morrendo desidratado, resolvi ir até o supermercado para comprar água potável. Pensei em tomar do chuveiro - pela preguiça - mas eu não sei o que fiz com o chuveiro que a água sai na temperatura de uma sopa. Coloquei um chinelo amarelo, uma bermuda azul e uma camiseta rasgada. Era óbvio que eu iria encontrar alguém interessante que eu já conhecesse. Me fiz de louco e, com o ipod no ouvido, cantava uma música americana no meu próprio dialeto. Peguei um desodorante e fiz de microfone pra galera da gôndola de higiene pessoal (essa parte é mentira! kkk).
Percorri todo o supermercado em busca de algo que suprisse a minha sede de viver. No caso, água. Achei um absurdo uma garrafa de água custar quase R$10,00. Saí por onde entrei e fui até o supermercado da frente que tem o slogan destinado às pessoas da classe C. No caso, eu.
Eu sou tão classe C que, quando saio de algum lugar sem comprar nada, sempre acho que alguém da loja/supermercado pensa que eu furtei alguma coisa. Talvez seja por isso que costumo comprar alguma coisinha em qualquer lugar que eu entre: tenho um monte de roupas que nem a etiqueta eu tirei.
Chegando no supermercado classe C, peguei as duas garrafas de água e entre na única fila que existia. Fila esta que estava lotava. Na minha frente, uma senhora e sua filha revezavam de 10 em 10 segundos para voltar às gôndolas atrás de alguma coisa que tinham esquecido. No meu IPod, o sucesso dos Titãs: Nós Não Vamo Pagá Nada! Eu podia estar irritado com aquela situação de entra e sai da fila, inclusive pelo fato de a todo instante elas esbarrarem em mim, mas preferi fechar os olhos e alinhar meus chakras.
Depois de uns 40 minutos, uma pessoa incrível teve a ideia genial de abrir um dos outros 7 caixas que estavam fechados, chamando assim as pessoas da minha fila para se dividirem entre a fila nova. Como eu estava apenas com duas garrafas de água, consegui chegar primeiro que as outras pessoas. Não que eu tivesse corrido ou desesperado pra sair de lá (o que eu estava), mas porque era mais fácil pra mim, do que para as pessoas que estava com carrinhos de compras.
Foi então que as tais mulher e a filha começaram a gritar dizendo que estavam na minha frente na outra fila. Odeio gente que grita. Perguntei para as mulheres se era possível eu passar na frente pois estava apenas com duas garrafas de água (enquanto o carrinho delas estava abastecido para a espera do fim do mundo). Elas não responderam e gritavam mais ainda que iriam chamar o gerente. Eu odeio gente que grita - ainda mais quando estou de ressaca. Fui até a outra fila e pedi para que, por favor, as mulheres entrassem na minha frente, que não havia porque discutir. Elas gritavam e gritavam, mesmo e tendo pedido para que elas entrassem na minha frente. E eu fui pagando a minha conta.
Peguei a nota fiscal, chamei as duas e, dizendo que elas estavam precisando, arremessei um pacote de camisinha que fica no caixa.
No meu IPod tocava Cara Caramba Cara Caraô.
Eu adoro ser da classe C!


A sutil diferença

Que diferença faz o chinelo que você usa, o carro que você tem? Que diferença faz se o seu macarrão ficou saboroso, se o chá está gelado? Se seu nariz está sujo? Que diferença faz a ressaca do dia anterior?
Que diferença tudo isso faz quando eu acordo e você já está olhando pra mim?
Não sei que diferença isso faz pra você. Mas pra mim, tem feito muito.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Fecha a porta quando sair

Na vida é preciso saber fechar a boca, as palavras estão aí para serem escolhidas e escolhas nunca devem ser tomadas sem pensar; é preciso saber fechar os ouvidos, se a gente se apega a tudo o que ouve, acaba esquecendo de ouvir a nossa intuição; é preciso saber fechar os olhos, só assim a gente pode ver mais longe.
Na vida é preciso se abrir pra aprender um monte de coisa.
Agora fecha a porta, preciso ficar sozinho.


terça-feira, janeiro 24, 2012

Encaixotado

Encaixotei todas as minhas coisas para levar para a casa nova. Foi difícil a escolha do que eu queria levar de mim, comigo. Cada roupa tem um cheiro; cada carta, uma frase; cada objeto, uma história. Tudo tinha algo que eu não queria esquecer.
Doei as roupas, rasguei as cartas e mandei os objetos para a reciclagem. 
O bom de cada coisa já está em mim, comigo.
Foi então que decidi.
Encaixotei todas as minhas coisas na memória e levei para a casa nova.


A comédia da vida é triste

Se um dia eu dissesse que faria tudo igual de novo, eu estaria errado. Eu faria tudo diferente. Mas, talvez, se eu não tivesse feito tudo do jeito que foi, hoje eu não teria a consciência de que eu estava errado. Uso o tempo sem você para voltar a fita em situações em que eu poderia ter tomado outras atitudes, em que eu poderia ter te abraçado em vez de gritado, em que poderia ter falado eu te amo em vez de pegar o meu carro e ir embora sozinho ou em que eu poderia ter acordado à noite pra te ver dormindo do meu lado.
Todas as vezes que assisto ao nosso filme tenho a esperança que o final será diferente. Que decepção!
Acho que vou comprar pipoca e assistir uma comédia. A vida existe pra gente dar risada!

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Home sweet home

O que nos motiva a mudar é a vontade de querermos algo melhor, maior. Talvez seja por isso que eu seja tão inconstante. O que para alguns pode ser uma forma de fuga, ao meu ver é a procura de um ideal que ainda não existe.

Fechar a porta e dizer tchau, ou muitas vezes não dizer nada, é pra mim uma tarefa complicada. Já errei algumas vezes. Tranquei algumas portas que perdi as chaves. Não sei nem o número do meu telefone de cor!

Durante semanas procurei um apartamento que fosse do tamanho dos meus sonhos, que tivesse o cheiro dos meus anseios e a vista para um horizonte infinito. Finalmente encontrei: ele tem dois quartos, cheiro de tinta e uma bela vista pra um cemitério. É a minha cara!
Aos pouquinhos vou arrumando a minha casa e a minha vida. Tenho apenas medo de me sentir sozinho.

Agora eu entendo todas as vezes que você me pediu pra ficar. Um dia ainda encontro a tua chave que eu perdi.  E, quando encontrá-la, acho que vou fazer uma cópia - só pra garantir!