sábado, setembro 10, 2011

O inverno de setembro

É sábado à noite. Sem parar, o telefone toca com convites de pessoas desinteressantes para encontros em lugares onde ele não quer ir. Ele se cansa só de pensar em debater assuntos que viram discussões assim que se dispõe a dar a sua opinião não-hipócrita sobre as coisas. Nessa noite é preferível a fiel companhia da música. É ela que está sempre lá quando não há mais ninguém.
Pela janela, o vento gelado o faz sentir-se vivo e o faz perceber que nem tudo está sob o seu controle. Apesar de não acreditar muito em horóscospo, para um leonino acaba sendo evidente a dificuldade de se convencer que tudo tem vida própria.
Ele tenta, de todas as formas, encontrar novas lembranças felizes perdidas na memória infinita de alguém que parece que só tem passado. Foi então que percebeu que todas as recordações alegres o fazem triste. Todos os sentimentos contraditórios são complementares. O sorriso só acontece quando se conhece a dor.
O álcool da noite passada ainda corre em seu sangue. Sua cabeça gira em harmonia com a rotatividade do planeta e mistura pensamentos que antes estavam divididos por pessoas e locais. E, nesse tétris mental, um espaço vaga assim como o seu coração já estava há tempos.
Ansiosamente, espera pela primavera que esse ano chegará mais tarde. Afinal, são nos momentos de transição em que tudo acontece.
É domingo de madrugada e a música o abraça para que ele possa dormir mais quentinho nesse inverno que parece não ter mais fim.

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