sábado, junho 05, 2010

Preciso me dar uma chance.
Mas é bem difícil conviver comigo, mesmo pra mim.

Sou o dia todo me impondo limites,
testando meus sentimentos.

Me arrependo e não consigo me perdoar.
Me puno até não aguentar.

Saio por aí andando sem rumo,
Na esperança de um dia de novo encontrar alguém que me peça para sorrir.

Talvez, para que isso aconteça, o meu sorriso já tenha que estar estampado nesse meu rosto triste.

Essa vida é uma piada muito sem graça.
O sol nasce todos os dias da mesma forma para que possamos cometer os mesmos erros.

Dia desses acordei me sentindo esquisito: um vazio me preenchia por completo - sintomas de um amor próprio que fugiu num adeus com cara de até logo. E, contrariando as minhas conquistas, peguei um ônibus até a agência nova que estou trabalhando e amando.

No caminho, o ônibus foi enchendo, enchendo, foi lotando, lotando. O barulho da catraca me ensurdecia. A voz das pessoas eram só barulho. O ônibus começou a ficar pequeno e parecia que não cabia mais ali. O cheiro da poluição me sufocava. Estava eu passando mal? Com dor de cabeça? Com dor de barriga? Pensava que ia desmaiar. Não, não! Pensava que ia vomitar... Estava um frio de suar. Precisava dar o fora dali, alguma coisa ia acontecer.

Difícil foi sair entre as 2.000 pessoas que lotavam aquele ônibus. Levantei acreditando que não iria conseguir chegar até a porta de saída. Um pedido de licença pra cá, um empurrãozinho com um sorriso amarelo de boca seca pra lá. Duas mulheres começaram a discutir por eu estar querendo passar. Uma falava que a outra tinha um bafo tão forte que parecia que tinha comido um rato. A outra retrucava dizendo que pelo menos ela não tava vestida como uma puta.Uma troca de elogios bem digna. Eu cagando pras duas. Só queria sair o mais rápido possível daquela caixa de alfinete.

Só conseguia ver a boca das pessoas se movimentando, o som eu já não escutava. Pulei do ônibus num alivio único. O meu salto foi praticamente um duplo carpado de dar inveja a Daiane, mas infelizmente não tinha ninguém pra me dar uma nota. Por outro lado, uma das tiazinhas que brigava por mim no ônibus desceu junto comigo para colocar a mão na minha cabeça e começar a sessão do desencapetamento. Segundo ela, o que eu tinha era um encosto.

Uma vez por semana alguém tenta me converter. Não que eu veja maldade nisso, mas acredito que eu que tenho que ir atrás de alguma religião, não ela que tenha que aparecer no meu dia de fúria e tentar o desencapetamento.

Voltei ao normal em 10 minutos andando na rua e fazendo respiração cachorrinho em meio às madames de higienópolis com suas super roupas de academia dando volta no quarteirão.

Ter essa maldita síndrome do pânico me fez perder o medo do ridículo a ponto de eu pensar que talvez eu estivesse ficando louco. Enquanto eu tiver consciência que estou enloquecendo, acredito que anda esteja com a mente sã.

No dia seguinte o sol nasceu igual. Dessa vez, eu que estava diferente.
Sonho com vc todos os dias e, é exatamente por isso, que não tenho conseguido dormir.