domingo, novembro 15, 2009

No momento tenho todos os sentimentos do mundo tentando ocupar a minha mente. O problema é que a maior parte dela está ocupada por pensamentos bons ligados a você.
As pessoas vivenciam seus pensamentos como algo separado do resto do universo, quase em uma ilusão de ótica da própria consciência. Essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais. Nossa tarefa é de nos libertarmos dessa prisão, ampliando nossa mente para coisas novas, boas e até ruins. Ninguém conseguirá alcançar completamente essa liberdade. Porém, lutar para essa realização é por si um ato de plena consciência da necessidade de evolução.

Até quando meus pensamentos ficarão presos em vc?

sábado, novembro 07, 2009

Hoje, num ato de (in)sanidade total, joguei fora tudo o que me lembrava você. Joguei fora o primeiro presente de dia dos namorados, que vc achou que não tinha sido suficiente pra mostrar o quanto gostava de mim.

Joguei fora aquela jaqueta linda que você me deu no meu aniversário, ela era a minha roupa preferida do meu armário. Depois disso, joguei no lixo aquele cachorrinho que a gente falava que era nosso filho, aquele que vc me deu num dia que eu estava doente, dizendo que ele tinha vindo pra cuidar de mim quando vc não estava comigo.

Mais tarde, joguei fora aquela caixa xadrez azul de presente que continha milhares de papéis, entre eles um (o último) que me prometia que seu amor por mim seria eterno.

Joguei fora também, aquela blusa cinza de capuz que todo mundo sempre dizia que eu estava bonito com ela, aquela blusa que um dia vc disse que era pra me deixar quentinho quando você não estava me abraçando no inverno. Joguei fora inclusive a embalagem onde estava embrulhada essa blusa, porém, fiz questão de não ler as palavras de amor que estavam grafadas nela.

Quebrei também os lindos óculos escuros que vc tinha me dado dizendo que era pra proteger os meus olhos puxadinhos cor de mel. Aí, eu picotei todos os cartões escritos por vc: um que continha EU TE AMO em todas as línguas, outro que dizia que se soubesse que me veria às 4h, desde às 3h vc já estaria feliz, e por último rasguei em mil pedaços o primeiro email que vc me enviou, aquele que dizia que eu tinha mudado a sua vida.

No momento, jogo pra fora todas as lágrimas que eu segurei enquanto vc me abraçava chorando na última vez que nos vimos.

Fiz isso, pra esquecer que um dia eu fui feliz. Pois, assim como só se conhece a felicidade por se conhecer a tristeza, a recíproca é totalmente verdadeira. É uma pena que não seja recíproca a vontade que eu tenho de ficar com você.

Apesar de fazer tudo pra te esquecer, a única coisa que não me desfiz foi do papelzinho com o número de seu telefone no dia que a gente se conheceu. Não me desfiz dele, pra lembrar que às vezes uma pequena coisa, seja ela um papel ou uma atitude, pode mudar tudo.

Espero até hoje o dia que tudo possa mudar e voltar a ser como antes.
Hoje cortei meu cabelo para tirar um pouco de coisa da minha cabeça. Não sei quem sou nas minhas atitudes e agora não me reconheço no espelho também.

Como pude deixar que meus pensamentos inconscientes dominassem a minha mente? Tenho que aprender a separar meus problemas em aqueles que a solução depende de mim e aqueles que a solução eu preciso esperar.

Esperar para mim, é a melhor maneira de perder tempo.

Acho que já perdi muito do meu tempo com vc.

domingo, novembro 01, 2009

É como se a força de toda a felicidade que um dia eu senti me empurrasse pra um penhasco sem fim. E eu percebesse que, por mais que às vezes eu pense que sei tudo, eu descubra que, definitivamente, não sei voar.

Ainda que eu consiga esconder meus medos, a minha cara de decepção é algo que eu nunca sei onde guardar. E ela vai ficar assim, exposta, até um dia eu ter certeza que realmente sofrer é uma questão de escolha.

A partir de hoje, só olho pra trás se estiver com torcicolo.

sábado, setembro 12, 2009

Queria ter um pódio no meu quarto onde eu pudesse subir todas as noites quando chegasse em casa pra receber uma medalha de honra ao mérito. Ainda não mereço o ouro, mas alguma coisa me diz que eu já estou em 3o lugar.

Nunca fui o melhor em nada e, talvez por isso, aprendi muito bem a perder. Quando a gente sempre ganha, a vitória acaba perdendo a graça.

O maior problema disso tudo é que a disputa tem sido contra mim mesmo.

Tenho que parar de ser bonzinho com as pessoas que eu gosto demais.

domingo, setembro 06, 2009

Quando tudo parece muito, descubro simplesmente que não era nada. E às vezes o nada pro outro, é tudo pra mim. Gostaria assim de viver, sem nada pro outro, sem nada pra mim. Mas não! Preciso sempre ter de tudo um pouco.
E tudo parece que ganha proporções muito maiores. O abraço agora me aperta. O beijo me mela, me molha. O silêncio me ensurdece. A comida me enoja. Os sentimentos estão misturados e dou risada de tristeza.

sábado, agosto 15, 2009

Acabei de ganhar um convite VIP camarote pra assistir o show de uma banda que todo mundo fala.

Preciso imprimir todas as letras de música pra poder cantar e não ficar parado em meio à multidão chorando desesperadamente com o refrão!

Aline, vou imprimir uma cópia pra você também! Hahahah
Por talvez eu nunca acreditar num amor verdadeiro, foco meus objetivos em cima da minha atrasada carreira profissional. Não acredito no amor por completo pois ainda não descobri até que ponto as pessoas se doam sem pedir nada em troca.

Trabalho desde os 18 anos quando fui obrigado a trancar a minha faculdade de odontologia (sim, quase fui um dentista!) por conta de uma crise financeira familiar. Meu primeiro emprego foi na Levi´s, onde eu tinha uma gerente louca que não penteava o cabelo, andava com um spray de pimenta na bolsa e era perseguida por dois caras de terno pelo shopping. Lá eu aprendi que eu não poderia confiar em todas as pessoas e que na vida, era cada um por si.

Meu maior sonho sempre foi ter um carro. Eu eu queria isso não pra mostrar pra todos que eu podia, mas pra ter uma sensação de liberdade que nem um pulo de paraquedas é capaz de dar.

Quando eu finalmente pude, lembro até hoje a Marione no carro da frente tirando foto minha enquanto eu dirigia o meu carro novo pra fora da concessionária. Pode parecer ridículo e um tanto materialista, mas foi um momento único em que eu provei pra mim mesmo que eu podia ter o que eu quisesse quando estipulava objetivos na minha vida. Quase emocionante!

A grande maioria cagou que eu tinha comprado um carro, inclusive todo mundo da minha família, mas pra mim, aquela era uma conquista sólida que eu podia tocar. E todo mundo podia entrar e podia colocar na rádio que quisesse e eu podia enfiar um monte de tralha no porta malas/luvas e eu podia gritar "LIBERDAAAAAADE"! descendo a serra pra praia com a mão pra fora sentindo a maresia e o sol me queimar.

Em dezembro passado, contra a opinião de todas as pessoas que adoram dar palpite na minha vida, pedi demissão daquele ninho de topeiras e cobras que as pessoas insistem em chamar de banco. Fui atrás da minha realização profissional e consegui um emprego numa agência de marketing promocional super bacana e conhecida daqui de São Paulo.

Ia ser difícil pra mim, ganhar 1/6 do que eu ganhava no banco, mas sempre vi isso como uma forma de investir na minha carreira profissional.

Porém, sabe quando a bolsa desvaloriza e você perde todo o dinheiro que você investiu?

Então, semana que vem é hora de eu renunciar a minha conquista pra que outras muito melhores possam vir também! Estou super triste com toda a perda da minha conquista, mas essa é a única fora de eu poder seguir em frente sem prejudicar ninguém.

E bem-vindo de volta ao transporte público de São Paulo!

terça-feira, julho 21, 2009

Sigo aqui nesse meio de vida, meio sem rumo, meio sem nada. Meio fechado pra dentro de mim. Percebo que este é o momento em que há uma urgência no fazer das coisas e resolução de todos os problemas. O passado é ridículo quando penso no presente.

Fico impaciente quando percebo ocasiões perdidas. Porém, acredito que o errar é a oportunidade de começar de novo e fazer tudo diferente, vivendo outras experiências e amadurecendo cada vez mais. Não sou adepto do clichê "me arrependo só do que não fiz".

Eu me arrependo de um monte de coisa feita, incluindo momentos em que eu podia ter ter gritado mais alto pra não ter que engolir minhas palavras e aumentar a dor que eu tenho aqui dentro.

Se arrepender de algo que fez é o primeiro passo para aprender a ser algo melhor. Compito com meu eu de ontem e a minha autocrítica é a minha arma secreta.

E é assim que estou tentando ser, diferente nesses dias que parecem nascer sempre da mesma forma.

Pobres são aqueles em que na vida tudo dá certo.

domingo, julho 05, 2009

Escrevo contra a solidão. E quando aqui eu derramar toda a minha intimidade, talvez a vida me revele pronto para escrever sobre alguma coisa que não seja sobre os meus sentimentos. Tem sido impossível não respeitar essa ordem que se impõe na minha cabeça e é transferida para os teclados desse computador.

Me chicoteio pelos atos de insensatez e de irresponsabilidade. Como uma mente crítica como a minha pode errar por tantas vezes?

Não sou certo, nem calmo, não costumo pensar numa coisa só. Dou risada alto, falo baixo, respeito os mais velhos. Tenho grandes explosões de alegria e quando fico triste e desapontado nada me consola.

Vivendo assim de maneira paradoxal, aprendo que por enquanto não morrerei de intensidade. E, já que isso não me mata, me despenco de dor até o fim do poço, de onde mais uma vez eu terei que subir gargalhando até ensurdecer a quem faz questão de não me ouvir.

A solidão pode ser um objetivo conquistado sem nenhum planejamento ou um meio planejado para se conquistar alguma coisa.

Eu prefiro pensar que a solidão é somente um daqueles sentimentos que nos aflora naquele momento em que temos que pensar que também podemos ser fortes sozinhos.

Escrevo a favor da solidão.

domingo, junho 07, 2009

Se eu pudesse voltar no tempo eu faria tudo diferente.
Mas quem eu seria se as coisas tivessem sido de outra forma?
Somos as conseqüências dos nossos atos.
Como pude ser tão inconseqüente?

A linha que eu costuro o meu coração acabou.
A cola nem gruda mais as partes que você quebrou.
Da última vez que você quis ajudar, só juntou tudo e colocou num canto, assim como faz com as suas roupas sujas no seu apartamento.

Nunca mais vou te emprestar nada.
Nem meu coração, nem minha camiseta e nem a minha risada.

Sinto como se você tivesse me agredido, me molhado e me deixado pelado no meio da rua: tudo ao mesmo tempo.

Se eu pudesse voltar atrás eu faria TUDO diferente. Começaria ficando em casa no dia que eu te conheci. Ou melhor, que vc quis me conhecer.
Não tenho medo de ficar sozinho, nunca tive.
Meu maior medo é ter um monte de gente e esquecer que eu não pertenço a ninguém.

Minha mãe disse que vai dar tudo certo.
Sei que vai.
Ela nunca mente pra mim.
Desde pequeno me deparei com contradições na minha vida em que tudo que eu gostava me fazia mal. Tudo que eu digo inclui coisas e pessoas.

Será que o único jeito é eu odiar você?

sexta-feira, maio 22, 2009

Conto todos os dias que faltam para eu acabar a minha faculdade. Às vezes tenho vontade de mandar todo mundo da minha classe calar a boca (Ok, às vezes eu dou de louco e mando todo mundo calar a boca).
Até quando vale a pena insistir?
Parece que na minha vida esse é o verbo que eu mais pratico. Cabeça dura a minha.

O problema não é aceitar que está tudo errado (sim muitas vezes pra mim isso é um problema), o fato é que não me vejo tendo que me acostumar com uma situação diferente da que estou.

Profissionalmente sou tão diferente.

Acho que tenho dupla personalidade.

Tem que ter, né?

quinta-feira, maio 21, 2009

quarta-feira, maio 20, 2009

A estrada pode ter acabado, mas ainda tem muita gasolina aqui. Gasolina suficiente para eu voltar atrás e tentar um novo caminho. Adoro dirigir. Meu único problema é que odeio perguntar como faço para chegar em algum lugar quando estou perdido, não gosto de incomodar. Orgulho maldito. Uma hora encontro o lugar onde quero chegar.

Hoje foi um ótimo dia pra recomeçar.

quarta-feira, maio 06, 2009

Um dia, numa dessas entrevistas de emprego, me deparei com um monte de aspirantes à jornalista na mesma "dinâmica de grupo" que eu estava.

Cada um falando sua respectiva besteira sobre como queria mudar seu mundo com palavras, sobre como acreditavam que a ditadura foi a pior coisa que aconteceu no Brasil e sobre como Che Guevara tinha sido o cara mais foda de todos os tempos. Coitados, o mais velho ali tinha uns 20 anos.

No entanto, sentado no meio desse monte de sonhos utópicos, estava um menino de cabelo enroladinho, loiro, de óculos redondos. Quando foi solicitado para que ele se apresentasse, todos se assustaram com a voz estranha do garoto.

No meio das gargalhadas engolidas pela maioria juvenil na sala, percebi que o garoto usava um aparelho auditivo preso à orelha. Percebi também que ele era a pessoa que falava as coisas mais coerentes naquela sala.

Minha vontade era dar de louco e mandar a galera parar de dar risada, mas eu não tive nenhuma reação, na esperança que o garoto não estivesse ouvindo nada.

Qual a graça que as pessoas veêm nas diferenças dos outros?

Eu já fui piada de muita gente na escola e só eu sei como foi difícil lidar com essa situação, sozinho. É justamente por isso que eu não dou brecha para ninguém mexer comigo e sinto essa vontade de sair defendendo todo mundo.

Nesse dia, a risada pra mim foi a maior prova de involução que o ser humano pode ter.

A risada pra mim tem que ter uma palavra bonita junto, um olho no olho, um beijo, um abraço. Quando a risada é dada sem uma dessas atitudes, ela de nada vale!

Quando eu tiver filhos, vou fazer questão de ensinar que é muito mais gostoso rir com olhos nos olhos, com um beijo estalado, um abraço apertado e com todo mundo junto!

Espero que o cara tenha conseguido o emprego, ele merecia!

terça-feira, abril 28, 2009

Sempre tem alguma coisa. Uma música no rádio, um elogio inesperado.

Todas as noites, quando vou dormir sozinho e espero o sono chegar, penso sobre como foi meu dia. O que será que valeu a pena hoje?

Pra mim, nenhum dia foi inútil. Às vezes eu aprendo com a força da palavra obrigado, a diferença que faz um sorriso. Em outros dias, aprendo que sou as conseqüências dos meus atos inconseqüentes e que tudo que vai, um dia volta.

Já foi a época em que eu ganhar o dia era ganhar algo material. Ganhar aumento, na loteria ou um presente já não significa tanto pra mim. As pessoas que valorizam somente as megavitórias, deixam para traz centenas de outros
dias em que para eles, aparentemente, nada acontece.

Meus dias são salvos por alguns detalhes. Acordar e descobrir que ainda tenho mais 15 minutos para dormir; olhar o céu azul de outono com um sol batendo no rosto pela manhã; ouvir a minha música preferida no rádio enquanto estou parado no trânsito.

E assim passam meus dias, sendo presenteado com a minha música favorita, com o sol no meu rosto ou com um sorriso de uma pessoa querida (ou até mesmo desconhecida)

É claro que tem dias que ninguém me surpreende, que meu trabalho não rende e as horas demoram a passar. Sem contar nos dias que levo uma patada de alguém, que não recebo a resposta esperada e que a chuva ao invés de me lavar me afoga.

Porém, tenho certeza que até a tristeza pode tornar um dia especial. Só que, infelizmente, não fico sabendo disso na hora do desespero, mas sim lá no futuro, onde tudo se justifica.

Hoje eu tive um dia especial!

quinta-feira, abril 23, 2009

Sou muito autocrítico. Sempre tentando me corrigir e ser uma pessoa melhor. Às vezes transfiro isso para as pessoas próximas de mim e acabo fazendo umas coisas sem noção.

Não gosto de muitas regras, mas quando me deparo com algumas, reflito sobre o porquê da existência delas. A grande maioria foi muito bem pensada para ser imposta, claro.

Semana passada estava no estacionamento do Shopping Higienópolis aguardando o meu amigo chegar. Enquanto estava dentro do carro vi uma das típicas cenas brasileiras onde a esperteza foge da ética.

Parei o carro em frente às vagas para idosos. Nisso, um homem com seus 30 e poucos anos estacionou o carro nessas vagas, sendo que havia um velhinho dando seta para entrar na vaga.

O velhinho, coitado, pensando que o cara fosse ceder a vaga para ele, ainda ficou um tempo parado atrás do carro do 30tão. O 30tão espertão, abriu o celular e fingiu falar ao telefone - olhando pelo retrovisor a impaciência do velhinho que continuava esperando.

O velhinho cansou e foi procurar outra vaga. O 30tão desligou o celular (que nem ligado devia estar) e saiu correndo para o elevador que levava até o shopping.

Ao lado das vagas para idosos tinha o número da lei e um trecho dela. Eu, puto com a cultura escrota do brasileiro, num ato de revolta, procurei um papel e caneta para expor a minha indignação daquilo tudo.

O meu amigo chegou e me encontrou bombando de nervoso, eu mal conseguia explicar. Só pedia um papel e caneta, desesperadamente.

Com muito esforço encontramos um envelope e uma caneta promocional, foram elas mesmas, e as palavras escritas e deixadas no limpador de vidros do carro do trintão foram:

"Um dia, quando você ficar mais velho, talvez entenda qual a verdadeira necessidade da existência das vagas para idosos."

Assinado Bruno, 26 anos.

quarta-feira, abril 15, 2009

Tardei a perceber que o mais legal da vida consiste na aventura de analisar os próprios atos e sentimentos. Às vezes brigo comigo mesmo nessa inconstante busca pelo perfeccionismo; outras me parabenizo, me beijo e durmo abraçado comigo mesmo na felicidade em sua totalidade.
As pessoas são sentimentos. Chegam do nada, vão sem que eu sinta falta. É paixão que apaga, é dor que se anestesia, é felicidade que se explode e some. Tudo tem seu ápice e declínio.
A saudade não. A saudade é um sentimento que não se apaga, que não se anestesia, que não se acaba. Ela é o único sentimeno que sempre cresce cada dia mais, infinitamente: assim como o que eu sinto por você!
Eu sempre fui meio chato para tudo. No entanto, enquanto metade da minha classe está falando ao celular, a minha faculdade tem me deixado ainda mais crítico com tudo (não só a minha faculdade, mas principalmente ela). Dificilmente um filme ou um livro tem me impressionado. Até as pessoas me parecem menos interessantes.

Por outro lado acredito que talvez eu tenha me tornado uma pessoa mais legal e até mais interessante. Talvez!
Hoje estava entrando na faculdade quando ouvi metade de uma conversa:
- Nossa, cala a boca! o cara é mó velho: tem 26 anos!!

Eu tenho 26 anos e não me considero velho. Ok, a Rita Cadillac tem seus quase 60 anos (acho), também não se considera velha e tá lá, fazendo seu pornozão, ganhando sua grana honesta.

Tudo é uma questão de parâmetro: dinheiro, velhice e felicidade. E como os anos fazem a gente mudar os nossos, né? (Pelo menos os meus!)

domingo, março 15, 2009

É uma delícia trabalhar fora dessa província que é a Zona Norte de São Paulo. Porém, trabalhar na Faria Lima também tem seu lado ruim.

Eu juro que procurei por toda a região algum estacionamento que fosse compatível com o meu reduzido orçamento. No mês passado até consegui uma vaga por R$150 mas, depois de umas duas semanas, o dono do estacionamento disse que o preço iria subir para R$200.

Ok, lá vou eu procurar outro estacionamento. Acabei parando o meu carro por R$200 mesmo numa mansão abandonada e invadida. Há a vantagem dos outros "colaboradores" da agência também pararem lá e isso me dá um pouco mais de segurança no caso de uma ação conjunta contra qualquer coisa que o estacionamento possa me causar.

Dia desses, dei seta para sair do estacionamento/mansão-invadida e acelerei o carro para entrar na pista completamente congestionada. Nisso, um carro prata veio acelerando de propósito para eu não entrar na frente dele. Detalhe: o trânsito estava completamente parado, não iria fazer diferença nenhuma para o carro apressadinho deixar eu passar. Entrei mesmo assim, pois daria tempo para entrar na pista.

O motorista do carro prata começou a buzinar freneticamente (parecia um frito numa rave com uma daquelas buzinas chatas) e, não contente, parou o carro do meu lado e começou a me xingar.

Eram duas meninas do surf (em São Paulo), com óculos na cabeça e uma delas - a do lado do passageiro - estava com os pés imundos e descalços no painel do carro, aquela coisa bem high society.

Eu estava de camisa e óculos escuros. Meu carro não possui insulfilm. E eu juro que demorei alguns segundos para perceber o que estava acontecendo.

As meninas param o carro do meu lado e começaram:
- Sua bicha louca, sai do armário!!! Pinto pequeno!!! Bla bla blá ...

Tentei abstrair, juro. Tinha tido um dia super feliz com direito a elogio da chefe e não ia deixar duas meninas do surf (em São Paulo), com os pés imundos no painel estragarem o momento feliz que tinha vivido há pouco.

Metros depois as minas pararam de novo o carro e insistiram em me xingar:
- Pinto pequeno! Pinto Pequeno!
Eram gritos de raiva, de ódio (coitadas!), de mulheres que não dão a bunda há muito tempo!

Abstraí. Devem ser umas vagabundas que só conseguem sentir prazer com uma jeba de um jumento de 40 cm, pensei. Será que mostro a minha pica dura pra elas? Desnecessário.

Foi quando elas, não contentes e felizes por só apenas me xingar, começaram a jogar o carro delas pra cima do meu. Tudo bem que meu carro está batido na frente e está tão quadrado que parece um uno, mas isso já era demais.

Num momento de total descontrole meu - arrependimento, juro! - procurei algo no meu carro que eu pudesse jogar no carro delas só pra dar um sustinho. O azar delas foi que eu estava com dor de garganta e a única coisa que eu vi na minha frente foi um vidro de própolis. Arremesei ele mesmo. E na cara das duas.

- VC É LOUCO?????? VC É LOUCOOOOOOO???? - foram as últimas palavras que eu ouvi daquelas que levaram uma propolizada no nariz, enquanto eu fechava o vidro do meu carro e ligava o ar condicionado.

Coloquei um CD da Enya e continuei meu dia feliz num trânsito de 2 horas até chegar em casa.

Ps: Eu duvido que elas teriam feito isso com uns manos ouvindo Racionais MC no último volume num carro vinho todo filmado.
Ps: Acho que agora elas entenderam o verdadeiro significado da teoria da Acção - Reação.
A sensação de ter um emprego novo é igual ao do primeiro dia de aula em uma escola nova onde todos os alunos já se conhecem.

Nunca gostei tanto de estudar!
Acho que eu nunca vou ser plenamente feliz.
Digo isso não pelas coisas que eu acredito que não possa fazer pra conquistar a felicidade.
Mas sim por tudo o que eu já fiz pra que isso se tornasse uma coisa distante.

segunda-feira, março 02, 2009

Que o trânsito de São Paulo é praticamente um tetris humano, todo mundo já sabe. Nas segundas-feiras, dia do meu rodízio, sou obrigado a ir trabalhar de ônibus. Conclusão: me sinto muito cidadão enquanto ser humano. Sinto também o calor das pessoas, a ignorância, a falta de educação e o pior, o cheiro.

É tão decepcionante entrar num ônibus e não conseguir um lugar pra sentar, é tipo ter um piriri na casa da sogra e perceber que não tem papel no banheiro. É mais decepcionante ainda ficar em pé grudado na janela num calor recorde de 34,5º às 10h da manhã com 2 horas de trânsito pra chegar no trabalho - me senti na casa de vidro do BBB.

E para completar, ter um bebê vomitando no seu pé é um momento mágico de raiva e compaixão que eu nunca mais quero sentir na vida. Nada que um baby whipes não tenha resolvido.

Já vi que hoje é meu dia de sorte!

quinta-feira, janeiro 22, 2009

No ápice da minha insônia (que tem sido constante) tirei a madrugada para deletar algumas das inúmeras comunidades que faço parte no orkut. A primeira que eu fiz questão de apagar foi a de nome "EU ME AMO E É RECÍPROCO". Existe alguma coisa que reflita mais a sua baixa autoestima (já com o português novo) do que uma comunidade onde vc precisa provar para os outros que vc gosta de si mesmo?
Desde pequeno fui acostumado a dividir tudo com meus irmãos (deve ser por isso que muitas vezes não entendo o egoísmo em algumas pessoas). Era sempre assim, a Thais (mais velha) ganhava o rosa, eu ganhava o de cor azul e o Alex, mais novo, ainda tinha a opção entre o verde e o amarelo. Isso das cores vale pra qualquer tipo de presente.

Apesar do meu irmão ser 1 ano e meio mais novo que eu, sempre fomos tratados como se fôssemos irmãos gêmeos, com tudo igual, só mudando a cor. Ou então a velha história do presente grande no natal com a mãe dizendo: "É pros dois!".

Explico isso para contar que obviamente no meu quarto tudo é duplo: a minha escrivaninha branca, a do meu irmão preta. Os dois murais com fotos, os dois armários, o beliche. Tudo em dobro, tudo igual, pra não fazer diferença. Só não tinha duas televisões pq aí seria um absurdo, apesar que deveriam ter pensado nisso também. Tenho certeza que isso minimizaria muitas das constantes brigas pelo controle remoto e a insistência do meu irmão em ativar aquele texto enquanto as pessoas falam na tv.

Assim que minha irmã casou, meu irmão foi o primeiro a se prontificar em ficar com o quarto dela, o menor. Segundo ele, menos coisa pra limpar (empregada pra q?) E levou tudo dele pro outro quarto.

Fui viajar e quanfo voltei, meu quarto estava todo pela metade! Sem contar que, onde haviam murais de fotos, sobraram somente alguns pregos na parede. E o que a minha mãe fez? Pendurou um terço e no outro um chapéu de palha. (???) Onde havia uma prateleira, agora há buracos na parede. Só faltou ele arrancar metade do carpete!

Meu quarto parece de um convento.

Bom, vou rezar...
Estou tanto tempo nessa escuridão que quando a luz se acender vou ficar cego.
Será que tudo está escuro mesmo ou eu que não consigo abrir os olhos?